Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal

Você já pensou em praticar um esporte que mistura dança, força, flexibilidade e, ainda por cima, dá um up na auto estima? Então esteja apresentado ao Pole Dance.

A modalidade é relativamente nova, apesar de ter suas raízes fincadas em mais de 250 anos da prática de prática do mallakhamb (que significa “homem de força” ou “ginástica do poste”), uma ioga indiana praticada em um poste de madeira e com cordas.

Desde então, o pole dance se desenvolveu gradualmente desde as tendas de circo até os bares como o estilo burlesco nos anos 1950. O primeiro registro do pole dance como conhecemos hoje foi em 1968 com a performance de Belle Jangles no clube de striptease Mugwump, em Oregon. O pole dance moderno começou a ser documentado somente a partir dos anos 1980 no Canadá.

Talvez pela herança do burlesco, o pole dance ganhou uma ligação forte com a sensualidade e ganhou uma aura de tabu pra muita gente. Mas atualmente, a modalidade parece estar redescobrindo seu espaço e admiradores mais do que dispostos a arriscar algumas acrobacias.

Por isso, esta semana, conversamos com as sócias do Studio Mobius, Thayrinne Bezerra, Gabriella Almeida e Lais Fernandes para descobrir como a modalidade têm conquistado as manauaras e quebrado alguns preconceitos.

“A gente percebe o aumento de interesse  das pessoas pelo pole e percebemos também que pararam muito de se importar com esse tabu. Aqui, não fazemos essa referencia de que haja um pole pra stripper, um pole pra isso, a gente não trabalha dessa forma. Então acaba que as pessoas se sentem livres pra vir aqui e fazer a atividade da forma que elas querem, justamente porque não fechamos ninguém numa caixa. A gente trabalha com pole, ponto”, afirma Gabriella Almeida, sócia e professora do estúdio.

Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal

A também sócia e professora Thayrinne Bezerra, associa esse novo olhar com uma característica que, segundo ela, é inerente à prática do pole: é tudo e para todos. “A gente costuma dizer que o pole é muito democrático, porque ele é uma mistura de muitas coisas. Você pode dançar, você pode fazer uma atividade física mais pesada, pode unir o pole a outras modalidade, como o tecido, por exemplo. É difícil definir o pole como uma coisa só”, afirma.

O primeiro contato com o pole dance é, portanto, mais do que a introdução a uma prática esportiva, é a abertura de um leque de opções que, segundo elas, atinge não só o corpo como a mente. “Sempre costumamos dizer que precisa ter zero experiência, não precisa ter força, flexibilidade… precisa realmente ter força de vontade de fazer uma coisa diferente”, comenta Thayrinne Bezerra. “Isso tudo são coisas que vão ser desenvolvidas durante o tempo que você estiver no pole. Mas a primeira aula, a aula experimental a gente apresenta a barra pra aluna, os passos básicos e com o tempo ela vai desenvolvendo consciência corporal, força, flexibilidade, e por aí vai”, completa.

“A gente também apresenta a aula pra aluna”, acrescenta Gabriella Almeida. “É muito complicado você fazer uma aula de pole que tem que usar roupa curta, e a maiorias das pessoas não ta preparada pra isso. E a nossa sala é toda rodeada de espelhos, então você é meio que obrigado a se ver o tempo todo. É uma forma de apresentar aquela pessoa pra ela mesma. A primeira aula é isso, pra você se enxergar naquele desafio”, conta.

A partir daí, não tenha dúvidas, o pole dance é um exercício riquíssimo em benefícios para a saúde. “(O pole) Ajuda muito no emagrecimento de maneira geral, porque você perde índice de gordura e aumenta massa magra, porque o pole é um exercício altamente isométrico. Pra você se manter na barra, você tem que estar em isometria (com o músculo contraído) constante. Além disso, consciência corporal, flexibilidade, tonicidade e rigidez. Queima em torno de 600 calorias por aula”, afirma a professora Thayrinne.

Mas para elas e, pelo que puderam perceber, para as alunas também, essa sequer é a melhor parte. O pole dance provoca uma melhora interna ainda maior. “Às vezes, a pessoa vem aqui e demora um tempão pra postar uma foto na rede social, por exemplo. De repente, ela posta e a gente percebe aquela satisfação, sabe. Ela já volta pra aula com outro gás, então a gente vê muito o desabrochar de cada uma. É uma mudança muito drástica”, conta Gabriella.

“Acho que muito se resume em aceitação”, acrescenta Thayrinne. “A pessoa se aceita muito em relação a muitas coisas diferentes. Não só como a Gabi diz de corpo e espelho, mas é muito de aceitação de um esporte novo, do corpo, das amigas, de tabus que a pessoa tinha, de encarar a sociedade, de querer dançar, fazer força ou fazer outras coisas”.

Um sentimento – resume a terceira sócia do estúdio, Laís Fernandes – de orgulho próprio. “Querendo ou não, é uma atividade muito gratificante, porque você consegue evoluir bastante de uma aula pra outra em algumas coisas. Diferente de uma academia, por exemplo, que você demora dois meses pra sentir alguma diferença no corpo. Aqui não, você pode até não emagrecer de cara, mas consegue sentir que ‘na aula passada não conseguia subir e agora consigo. Em uma semana, olha o quanto que eu evolui’. Isso cativa”, afirma.

Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal

Do ponto de vista da aluna

Essa percepção se prova ainda mais acertada quando vemos pelo outro lado, do ponto de vista de uma aluna que foi conquistada pela modalidade, como relata a redatora Raíssa Pitanga.

“Eu conheci o pole através de uma amiga, cinco anos atrás. Eu sempre fui curiosa pra fazer, mas aquele pontapé inicial nunca veio. Aí em março do ano passado, comecei a reparar que uma das minhas melhores amigas de infância, era apaixonada por esse esporte e ela sempre falava como era lindo, como tinha mudado a vida dela e tudo mais, aí eu pensava ‘Meu deus, será que é tudo isso mesmo?’. Nesse meio tempo, duas grandes amigas minhas também faziam aula no Mobiüs e me convenceram a finalmente ceder”, conta.

Com cerca de um ano de prática, Raíssa afirma que as barreiras muitas barreiras tiveram que ser transpostas, de preconceitos a percepções de outras pessoas. “Eu tive muitas mudanças. O pole dance me mudou de uma maneira que eu não consigo nem explicar! Eu engordei 25kg, então, quando uma pessoa que era muito magra se vê nesse peso, começa a ter problemas de aceitar o próprio corpo”, relata.

“Eu tinha vergonha do pole, falava que tinha que emagrecer pra poder ir e etc, mas depois percebi que o corpo ideal para o pole dance é: qualquer corpo. O pole é um esporte mágico e abrangente, porque ele tem diversas vertentes que te exploram e mudam algo em vocês. TODAS ELAS são importantes. Eu entrei com aquele pensamento ‘EU FAÇO POLE SPORT! NÃO TEM DANÇA!’, e ok, essa vertente me trouxe força, me fez ficar confiante com o meu corpo, mas faltava algo”, conta a redatora. “Eu fiz dança quando mais nova, e fiquei muito triste quando parei de dançar. O pole me trouxe um sentimento muito incrível, principalmente depois que conheci as vertentes de dança. O sentimento de vencer o seu medo, a vergonha, se descobrir sexy, poderosa, é incrível. Eu passei a amar o meu corpo, porque ele é incrível por se sustentar em uma barra”, completa.

Segundo ela, o esporte trouxe ainda uma conexão maior com um movimento que, felizmente, só cresce no Brasil e no mundo: o empoderamento e a sororidade feminina. “O pole me fez ter mais amigas mulheres. Geralmente no estúdio todas as alunas acabam virando amigas, não tem competição, uma ajuda a outra, incentiva, torce pela outra”, finaliza Raíssa.

Sem contra indicações

Se, por esses depoimentos, você já pensou em tentar o pole, as professoras mais do que incentivam que pessoas de todas as idades deem uma chance à modalidade. “Contraindicação não tem. Também não tem uma idade máxima, nem mínima. Acho que, pra adotar um mínimo, a partir de 5 anos é legal, porque se for trabalhar com criança, a gente foca muito no pole esporte, então é uma atividade como o tecido, que ajuda a pessoa a desenvolver várias habilidades”, indica Gabriella.

“Em casos de restrições físicas, os exercícios podem ser trabalhados de maneira específica. A gente percebe, vê, conversa, descobre o que elas querem e esse trabalho pode ser mais direcionado para o que elas precisam”, completa Thayrinne.

A idade máxima¿ Não existe! “Hoje, temos um bom quadro de pessoas com mais idade aqui no estúdio e que gostam muito e, olha, são muito mais corajosas que as meninas novas”, brinca Gabriella, encorajando, também, outro público a conhecer o pole dance: os homens.

“Aqui no estúdio não temos, no momento, nenhum menino matriculado. A gente já deu algumas aulas experimentais pra homens sim, mas percebemos que não tem muita procura masculina. Acho também que é tudo um passo. Pra Manaus, o pole ainda é muito novo, ainda está crescendo. As pessoas ainda não conseguem ver 100% como uma atividade física ou um exercício que dê pra desenvolver força, então não consegue atrair dessa forma”, completa.

É essa e outras barreiras que elas pretendem continuar quebrando com o trabalho no Studio Mobiüs que já completa 3 anos de atividades. Enquanto isso, elas aproveitam a sensação de dever cumprido com cada nova evolução de quem, depois que conheceu o pole dance, nunca mais largou. “Acho que a gente não conhece ninguém que veio pra cá, começou a fazer pole e não mudou nada. Recebemos esse feedback das alunas e também conseguimos acompanhar durante a evolução, é um verdadeiro desabrochar”, finaliza Gabriella Almeida.

Serviço

O quê: Studio Mobiüs

Onde: Academia Cagin (Rua Valério Botelho de Andrade, 24 – São Francisco)

Contato: 98188-7888

Redes Sociais: Facebook.com/studiomodius.arte; Instagram (@studiomobius); www.studiomobius.com.br; Youtube (youtube.com/studiomobius)

 

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