Foto: Medina/ Portal Tipo Manaus

Tipo Manaus: Candidato, antes mesmo das candidaturas serem oficializadas, enquanto havia a possibilidade de o senhor trocar de partido, afirmou em entrevista que, independente do partido que escolhesse, seria uma candidatura com a cara de Plínio Valério. Qual o senhor acredita que seja a sua característica mais forte para essa eleição?

Plínio Valério: Transparência. Eu acho que o político, (sic) a transparência na política, todo mundo diz que é pecado, um erro fatal. E pra mim é vantagem. Eu acho que o político tem que ser transparente e uma campanha que tem a minha cara tem que ser transparente, respondendo a todas as perguntas que o eleitor faz e dizendo o que eu penso, não falando mentiras.

Tudo que eu digo, as besteiras que eu falo, as bobagens que eu digo, são todas minhas verdades. Eu não minto nenhum minuto, acho que é essa a cara que eu quero passar. E a defesa do Amazonas, o compromisso com o Amazonas. Eu tenho a consciência de que ser representante do Estado, você tem compromisso, primeiro, com o Estado e eu não abro mão disso. Por isso que eu disse que a campanha tem que ter a minha cara, uma campanha com cara de amazonense.

TM: Concorrendo ao Senado, o senhor entra em disputa com outros nomes bastante conhecidos do eleitor amazonense. De que forma acredita que o seu nome pode entrar em destaque nesta eleição? 

PV: Contrapondo. Eu acho que, se você me comparar aos três concorrentes, um é Senador, já foi Ministro; a outra já foi tudo, é Senadora; o outro já foi Senador, Ministro e Deputado Federal, há um contraponto. Eu me oponho a eles no perfil, o meu perfil é diferente deles. Como é que eu quis marcar essa diferença? Eu cheguei na campanha dizendo: “Olha, eu não sou igual a eles, eu não tenho medo da polícia. Eu mostro o meu CPF” e foi o que eu fiz. Falar a palavra ‘polícia’ pra mim, eu não corro. Eu não tenho medo da palavra polícia, eu não tenho nada a dever. Então essa é a grande diferença, estou me opondo a eles nesse sentido.

O Brasil atravessa um momento diferente, nós temos a Lava-Jato e outras coisas e é nesse momento diferente que eu quero me colocar. Eu quero que você que tá nos ouvindo faça as suas comparações. Veja o passado de cada um, veja a ficha corrida de cada um e as ideias de cada um. Eles todos já foram (sic), pra você ter ideia, um mandato de Senador equivale a dois mil oitocentos e oitenta (2880) dias, então esses caras querem, de novo, dois mil oitocentos e oitenta (2880) dias pra, em nome do Amazonas, nos envergonhar. Então essa é a diferença, eu não vou envergonhar, eu não envergonho o povo.

TM: Candidato, nós estamos no mês do Combate ao Suicídio. Recentemente, a Câmara Municipal aprovou uma emenda (001/2017) de sua autoria, que acrescenta à Lei 2.195/16 que as temáticas “crimes sexuais e suicídio” sejam debatidas nas escolas. Qual a importância de que esses assuntos estejam na grade curricular?

PV: Eu aprendo muito quando alguma organização não-governamental (ONG), alguma associação vai a Câmara falar de suas preocupações. Em 2001, eu coloquei o meio ambiente na grade curricular e o suicídio tem sido uma preocupação mundial, particularmente, o suicídio entre os jovens.

Muitas vezes é um carinho, é um telefonema, é uma passada de mão na cabeça, é uma flor, um cinema, um bombom, né, uma palavra. Falta isso. Então, quando eu me deparo com grupos que fazem isso que eu gostaria de fazer, a gente vê a importância que é colocar esse tema na criança, para que eles comecem a ouvir essa questão do suicídio: o perigo, a depressão, os desencantos, etc. E a mesma coisa com os crimes sexuais. A gente usa (a expressão), porque a palavra estupro é muito forte, crimes sexuais envolve estupro (sic). O garoto, o menino tem que saber lá, através dos professores que vão conversando com ele, que você não pode tocar no corpo da mulher sem que ela permita, que você não precisa demonstrar que é ‘macho’ pra tirar graça com as mulheres, entre outras coisas.

Eu acho muito importante, fiquei feliz da vida, porque as associações que tratam disso, não sabiam nem que eu estava fazendo. Eu quero me antecipar aos problemas, acho que a solução está nas crianças. A juventude também é solução, mas se aprender desde criança que tem que cuidar bem no meio ambiente, que o homem não pode maltratar a mulher, que você não pode se desencantar,(sic) e você tem que aprender desde cedo que a vida não se resume numa coisa só. É muito importante falar isso para as crianças, daí a minha preocupação com esses temas.

TM: Quais são as suas propostas em relação aos recursos naturais que o Amazonas oferece?

PV: Eu acho que tudo. A Zona Franca foi o cachimbo que entortou a nossa boca. Nós nos acomodamos com a Zona Franca, tanto é que, quando retiram algum incentivo fiscal, muita gente diz que o Amazonas vai morrer. Porque, realmente, nós dependemos ainda do modelo e a gente teria que, há décadas atrás, ter discutido e ter implantado um novo modelo econômico-ambiental, voltado para a nossa vocação. Qual é a nossa vocação de amazônida? O rio e água. Nós temos a maior área de terra do mundo para plantar e não plantamos, nós temos a maior área de água do mundo e não criamos peixes. Então, a gente não se volta para a nossa vocação.

Eu acho que a biotecnologia poderia ser uma saída para entrar no nosso campo genético. Nós temos remédios, nós temos plantas que curam, ao alcance, a AIDS e a gente não faz isso. A gente não é nem exportador, eles vêm aqui, tiram as nossas raízes, as nossas plantas e fazem seus remédios. Então, se a gente olhar pro nosso umbigo, a gente vai ver que as nossas estradas são os rios, que a nossa riqueza reside nas várzeas e na floresta. Nós temos que dar um novo modelo pra trabalhar com as frutas, com o peixe e, claro, paralelo a isso, adequar a Zona Franca ao novo modelo que vem aí: tecnologia. Tem que atualizar e avançar em tecnologia.

Mas eu creio que se a gente avançar para produzir alimentos e na área da biotecnologia, a gente tem um campo aí. Agora é um projeto pra 10, 20, 30 anos, mas é um projeto que tem que começar. “Ah, mas é fácil um candidato ao Senado falar que é bom plantar, mas não tem pra quem vender, não tem como escoar”. Claro, mas isso não muda que tem que envolver mesmo a infraestrutura, que seriam as estradas de escoamento, a forma de você escoar esse produto.

Eu acho que você tem fazer isso como uma política de Estado. Nós temos que traçar esse caminho, porque ele vai ser a nossa salvação e isso envolve muita pesquisa. A Amazônia ainda é muito desconhecida.

Foto: Medina/ Tipo Manaus

TM: Como o senhor analisa três temas importantes para o povo amazonense: saúde, educação e segurança?

PV: Saúde está na UTI, a educação não está alfabetizada e a segurança é mais insegura do que nunca! O meu candidato ao Governo, o Omar, ele tem um plano de segurança pública muito bom pra voltar a segurança. Eu acredito que, com o Omar no governo, a gente volta a segurança (de forma) simples.

Você perguntou a mim, mas o candidato ao Senado ele não é aquele cara que chega com projetos, que propõe propostas mirabolantes. Não, ele vai apoiar o seu governador, o seu Estado com emendas parlamentares, destinando dinheiro para essas coisas. Mas o meu candidato ao governo já fez o Ronda no Bairro e vai fazer o Ronda Total; vai dar ocupação a essas crianças e jovens para que elas não optem pelo mal. As crianças hoje em dia são totalmente vulneráveis a serem cooptadas pelo crime organizado. A mão do governo não chega, o crime organizado chega.

Você tem hoje uma criança, servindo de avião, sustentando a família, porque o pai e a mãe estão desempregados, então você tem que olhar para esse pai, essa mãe e ocupar as crianças. Na questão da juventude, por exemplo, ele criou o ‘Primeiro Passo’ que é o que? Ele vai empregar jovens recém-formados nas empresas, com o governo pagando metade do salário. A partir de um ano, a empresa contrata ou não aquela pessoa.

Na questão da educação, eu costumo dizer que dinheiro nunca foi problema para a educação. Há excesso de dinheiro para a educação, o problema é que o que sai pelo ralo é muito maior. Quem está gerindo a educação – no Brasil todo – gasta muito. A gente precisa valorizar o professor, claro, ter salas de aula condizentes, claro, mas tem que passar por um currículo que sirva para nós, que seja amazônico, não pode ser um currículo de “cima para baixo”, o que serve para São Paulo, não serve para nós. Nós teríamos que ter um currículo adequado para atender ao que a gente precisa.

E a saúde também é o mesmo problema, porque todo mundo, quando quer resolver saúde e educação, fala em dinheiro, mais dinheiro. E não resolve. O problema da saúde é gestão. Você tem hospital; quando não tem hospital, não tem equipamento; quando tem hospital e equipamento, não tem pessoal; quando tem hospital, equipamento e pessoal, não tem remédio. Hoje, você não tem esparadrapo nos hospitais. Isso é problema de falta de dinheiro? Não, o mesmo dinheiro que serve para financiar festival folclórico e torneio de dominó, serviria para suprir essa falta. É problema de gestão.

TM: Na sua propaganda eleitoral, o senhor divulga o seu CPF e convida o eleitor a pesquisá-lo. De que forma o senhor avalia esse feedback nas ruas durante a sua campanha?

PV: Olha, acabou sendo uma jogada de marketing grande que não era nem essa a intenção. A minha intenção no CPF (sic) era mostrar que eu não sou igual a eles. “Não, porque todo político é ladrão”. Eu não sou, está aqui o meu CPF, foi isso que eu quis dizer. Eu não quero ser conhecido como ‘o homem do CPF’, foi apenas para dizer: investigue, porque é onde está a caixa-preta do indivíduo é o CPF, então, se você clicar e ele não tiver processo ou denúncias contra, é uma pessoa limpa. Essa foi a intenção.

Não tenho nenhuma pretensão de ser mais honesto que ninguém, eu não quero voto porque eu sou honesto, honestidade é obrigação, é pré-requisito, não é requisito. Qualquer um tem que ser honesto, então eu só coloquei pra dizer “eu não sou igual a eles” e não sou. Se é melhor ou pior, o eleitor é quem decide, mas igual eu não sou.

Foto: Medina/ Tipo Manaus

TM: A sua campanha tem ganhado atenção e boa receptividade dos jovens. De que forma o senhor tem analisado esse apoio?

PV: O jovem é, acima de tudo, um revolucionário. Eu já fui jovem e, graças a Deus, mantenho esse espírito ainda de querer revolução, de querer mudar, de querer fazer a coisa certa.

O jovem tem se identificado com o nosso discurso porque é o discurso de defesa dos nossos valores. Eu estou querendo trazer para o amazonense – e entenda-se como amazonense todos aqueles que moram aqui e que gostam dessa terra, não precisa ter nascido aqui – aquele orgulho de dizer que é amazonense. Nós amazonenses ficamos chateados quando dizem que a gente é índio. Tem que ter orgulho da nossa ascendência indígena. Então, eu estou trazendo esse discurso de “respeitem o Amazonas, nos respeitem”.

O jovem gosta dessas coisas e eu digo isso, não é pra agradar a juventude, eu digo porque eu também acredito nisso e acho que cada um de nós tem dentro de si um herói adormecido, o herói que desistiu, o herói que está vivo e eu quero despertar esse herói que tem dentro de cada jovem. Talvez essa linguagem direta tenha feito com que o jovem tenha entendido e eu fico feliz da vida por isso.

TM: Por fim, gostaríamos que o senhor deixasse uma mensagem. De que forma o eleitor que vai votar no senhor no próximo dia 7 de outubro poderá contar com um parlamentar atuante no Senado Federal?

PV: Eu acho que o que me diferencia também deles, além do CPF, é esse compromisso que eu tenho com o Amazonas. Eu sou amazônida, o pessoal me vê jogar tarrafa, me vê pescar, eu vou ao Mercadão sozinho, comprar pirarucu seco, gosto de jaraqui frito, tucumã com farinha, tacacá, eu sei onde fica a Feira da Panair, etc. Então, esse conhecimento eu acho que me tornaria um bom representante, tanto é que eu fui escolhido o 16º deputado mais atuante do ano de 2013 pela revista Veja em apenas oito meses de atuação.

Me acho preparado sim. Eu não sou esse ‘novo’, porque o novo não está na pele macia, o novo está no brilho dos olhos, está nos sonhos que mantenho, na ética, na honestidade, na posição. A minha posição é de defender o estado, tentar acabar com esse abismo que existe entre o Sudeste e o Norte, tentar defender a Zona Franca, defender a BR-319, mas, acima de tudo, é saber como eu vou votar por você.

Quando você vota no Senador, no Deputado Federal, você tem que saber o que ele pensa sobre os temas mais variados, porque lá no Congresso Federal, nós vamos ter que decidir a questão do aborto, a questão da liberdade de gêneros, pena de morte, porte de armas, tudo isso a gente vai ter que discutir e é interessante que o jovem saiba o que o seu candidato pensa. E eu costumo dizer o que eu penso, eu quero só ficar para ser avaliado. Me avalie, me compare e, se eu merecer o seu voto, será de bom grado. Agora tenha certeza de uma coisa: eu não vou envergonhar o Amazonas.

TM: No dia 7 de outubro, qual é o seu número, candidato?

PV: Para você ver a qualidade de político que eu sou, que não pede voto. A minha forma de fazer política é diferente dos outros. Esse negócio de abraçar criancinha, – adoro criança, mas jogar em horário político, nem pensar – negócio de fazer falsas promessas também não.

Eu sou candidato ao Senado, meu número é 455. É preciso dizer que é possível votar em dois candidatos. Se você já tem um, eu acho difícil você já ter escolhido, não tem problema, eu posso ser o outro da sua vida. Não tem problema nenhum.

 

 

 

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