Depois de conversar entrevistada dessa semana, nós temos um desafio: fique uma hora conversando com ela e não tenha vontade de arrumar as malas e correr pro aeroporto com destino a qualquer lugar. Nós duvidamos! E nos próximos parágrafos, você talvez entenda o porque…

Se o nome Blogueira Lisa (@blogueiralisa) ainda não diz nada pra você, caro leitor, esteja apresentado. Jéssica Nery é amazonense, gerente comercial, administradora, blogueira e – nada de horas vagas! – enquanto faz tudo isso, ela também equilibra a inquietação de querer conhecer o mundo.

O Blogueira Lisa começou há mais ou menos 1 ano e três meses, herdando o nome de uma brincadeira entre amigos. Mais tarde, se tornou a melhor forma de descrever um espaço dedicado a compartilhar dicas de viagens de uma forma muito particular. “O blog nasceu a 1h da manhã. Sabe aquele dia que não tem o que fazer? Um ócio! E eu gosto de viajar, sempre gostei de ir por aí, de descobrir como economizar. Eu sou aquela pessoa que avisa pros amigos quando tem promoção de viagem, de hostel, que chama pra viajar”, relembra Jéssica. “Só que a ideia não era falar sobre viagens a princípio, era mais sobre economizar aqui na região mesmo, do que fazer. Mas eu não sou a blogueira ideal, não sou aquela que faz a make, que ta procurando achadinho… eu não gosto disso. O meu lance é viajar”, completa.

Desde então, já foram muitas compras confirmadas, malas arrumadas, check-ins feitos, fotos, posts e histórias pra contar. Mas espera, a blogueira não era lisa?

“Mas a blogueira tem cartão, a blogueira parcela em 10x”, se diverte Jéssica. “Eu acho legal falar disso, porque as pessoas pensam e têm algumas que falam de uma maneira bem arrogante até: ‘Mas você não é lisa nada’. Gente, ser liso não é viver na miséria. Tem diferença. Eu trabalho muito, eu me esforço muito pra poder parcelar no cartão em 10x e conseguir ir pra algum lugar. É claro, a gente tenta economizar e as dicas no blog são em torno disso”, conta.

Planejamento

Então vamos do começo, como você planeja as viagens? “Geralmente, eu organizo com alguns meses de antecedência. Decido no começo do ano alguns lugares que gostaria de conhecer, falo com alguns parceiros daqui e de outros estados. E tento dar pelo menos dois meses entre cada viagem, até pra recuperar financeiramente, porque nem tudo é blog, tem coisa que a gente tem que pagar”, explica.

Certo, dica anotada. Depois disso é só pesquisar sobre o destino, certo? “Na verdade, eu tento pesquisar o mínimo possível, porque eu gosto da surpresa do lugar. Como eu, no meu roteiro nada é muito preso. Eu só decido o que eu quero fazer no local. Que dia ou como eu vou fazer, eu vou me virando por lá. Além de perguntar isso no blog e nos grupos de viagem que faço parte”, conta a Blogueira Lisa.

Está anotando, leitor? Pois se prepara que a próxima é ainda melhor: é preciso conhecer o seu perfil de viajante. “Confesso, que como viajante, sou muito mais de passar o dia na praia, pegando um camarãozinho por R$10 do que conhecer museu. Em compensação, você não pode deixar de conhecer certas coisas. E gosto de aproveitar o máximo do que a cidade oferece, inclusive de alimentação. Acho que cada lugar tem um sabor diferente, um gosto, um tempero. Exemplo, o acarajé é uma delícia, mas o vatapá da Bahia… eu prefiro o do Amazonas. Provei o tacacá de Santarém e não gostei tanto. Talvez o de Alter do Chão não seja tanto pro meu paladar, mas tem outros lugares pra provar. Então, acho que a gente tem que conhecer a culinária, porque ela fala muito do lugar, além da historia, lógico. Eu posso ser de praia, mas não abro mão de conhecer mais da história de cada lugar que eu vou. Isso, não deixo de fazer”, comenta.

O segredo

Malas e roteiro prontos, você consegue perceber que a Jéssica já tem alguns truques pra fazer jus ao nome do blog. Aqui vai mais um: qual o segredo pra conhecer tantos lugares gastando pouco? “O segredo de não gastar muito numa viagem, é fazer viagens curtas. Quatro, cinco dias é o suficiente pra você aproveitar um lugar e economizar. Vamos fazer um calculo bem simples: eu passei 4 dias em Jeri (Jericoacoara – CE), mas dois dias inteiros. Nisso, eu chego a noite de um dia, fico até a manhã do último. São três diárias, já economizei ai pelo menos R$150 só de estadia”, ensina a blogueira.

“Minha alimentação: café da manhã o hostel cobre, show de bola, mas e o almoço? Tenho que reservar uma graninha. Então, se vão ser só três dias em Jeri, eu cheguei a noite, vou gastar só dois dias de almoço, uns R$20, R$30 – dependendo de onde estiver. Ah, tem os passeios, um é R$65 o outro é R$70. Coloca junto. A noite, sanduichezão ou miojão pra tentar salvar a noite, já que no hostel dá pra você fazer a sua comida”, conta. “Nesse tempo, você aproveita o lugar, economiza na estadia, na alimentação, em tudo. Eu sempre indico três, quatro, no máximo 5 dias. Se quer passar um pouquinho mais, uma semana é sempre bom, mas vai gastar um pouquinho mais”, completa.

Surpresas e roubadas

Ouvindo as histórias, é impossível não questionar se todas essas viagens foram de fato boas. Quais as surpresas e perrengues, então? “Uma cidade que me deixou boquiaberta, que eu fiquei realmente maravilhada foi Palmas, no Tocantins. Eu não tinha planos de conhecer o Tocantins, eu fui porque fui ao Jalapão, que é um paraíso. Todo mundo tem que conhecer!”, afirma Jéssica.

“Mas Palmas me deixou com uma sensação diferente, porque você não espera o que é a cidade. Tem, sei lá, 300 mil habitantes e foi planejada pra 1 milhão. Ao mesmo tempo que tem aquele quê de cidade pequena, de 22h tudo fecha e você passa fome, – passei por isso lá. Só tinha o supermercado, o Extra. O resto tudo fechado –  você olha e fala: ‘Nossa, que cidade linda!’. E é o portal pra você ir pro Jalapão, então tem esse quê a mais”, conta.

“Agora, de roubada, que eu falei ‘Rapaaaz, vamo ficar atento’. Bom, quando eu fui, por exemplo, pra Jericoacoara, eu fui sozinha, mas todo mundo me falava, por exemplo, da Pedra Furada, que a furada era conhecer aquele lugar. Até que eu decidi não ir e parece que foi a melhor decisão da minha vida. Porque, quando eu caminhava pra praia pra ver por do sol, muita gente falava que tinha andado horas e não tinha visto nada! Mas essa eu não vi com os meus olhos. A que eu vi e posso falar com toda propriedade foi Florianópolis”, conta a blogueira. “É uma cidade linda, é muito diferente, mas Jurerê Internacional não tem nada de mais! Na verdade, são vários arbustos, você passa e tem uma praia sem nada! Isso é lindo? Com certeza, mas do jeito que falam de Jurerê, você imagina uma praia maravilhosa, com uns bangalôs, aquela coisa louca, um nível diferente, porque Jurerê Internacional é uma praia pra quem tem maior poder aquisitivo, mas ali não tem nada de mais. Então Floripa foi uma cidade que eu esperava mais. Volto lá agora em julho, volto no frio dessa vez. Agora do ladinho tinha Balneário Camburiú que foi um paraíso, adorei aquele lugar”, completa.

Edit: No final da entrevista, a Jéssica adicionou mais uma roubada: o passeio de catamarã em Recife! “Em Recife, você não pode deixar de fazer o Recife Antigo e lá, tem um catamarã – que inclusive também é uma roubada, gente, não façam o catamarã. Você não vê nada, só rio, sujeira e fedor. Tem muita coisa linda. Recife é linda eu amo Recife, sempre que eu posso, pelo menos uma vez por ano tento voltar. Mas o catamarã é meio sem noção, é um gasto de dinheiro (R$80!) e não é barato”, afirma.

Viajando sozinha

Se você chegou até aqui, provavelmente já percebeu que a pessoa gosta muito de viajar (nos identificamos), mas viajar com quem? Às vezes em grupo e, às vezes, sozinha. Esse é um ponto importante de frisar por duas questões: muita gente estranha quem viaja sozinho, por qualquer motivo que seja e porque a Jéssica é mulher. Veja bem, essa é uma questão difícil de ignorar (e nem é pra ser ignorada!), porque a segurança é sim um problema que deve ser levado em consideração. Mas ninguém melhor que a Jéssica para falar sobre.

“Eu gosto (de viajar sozinha), porque eu acho que é o momento que a gente se encontra. Viajar sozinha faz a gente pensar na vida. Apesar de ter blog, eu deixo muito o celular de lado quando viajo só, porque eu gosto de olhar o por do sol. Eu pego o celular, claro, pra mostrar rapidinho, porque também respeito os meus seguidores, eles estão ali pra isso. Mas acho que é o momento de você viver coisas suas. Acho que as pessoas, na verdade, tem medo é da solidão. As vezes, a gente não sabe ficar sozinho. A gente precisa ta com gente e eu aprendi – que eu também não sabia ir na fila do pão sozinha – a estar sozinha”, conta.“Em compensação, tem o outro lado sim. Se eu dissesse que não, estaria omitindo a verdade. Lá mesmo em Alter do Chão, eu passei por uma situação que foi bem desconfortável. Eu tinha que fazer aquela trilha da serra, porque você vê a cidade de cima, e eu queria ir ver o por do sol. Então, era época de cheia, que você só chega na Ilha do Amor de catraia. E o catraieiro que tava comigo, também fazia essa parte de guia. Dai acordei com ele e, quando eu do hostel, avisei pro casal – inclusive amo aquele lugar, Hostel Coração Verde. Eles são fofinhos, é um casal que assim, parece que cuida de você – que ia com o catraieiro tal, o horário que ele ia me levar e eu falei rindo: ‘Se eu não voltar até 21h, liga pra policia’. Eles riram e eu falei ‘Eu to falando serio’. Eu tava tranquila, mas caso acontecesse alguma coisa, eles sabiam as informações e o telefone de emergência que tinha que ligar”, conta a blogueira.

A dica então é: “Tenha cuidado, mas não deixe de fazer. A gente não pode viajar só porque alguém ta indo, a gente não pode se privar de viver experiências deliciosas porque ninguém vai comigo e eu tô com medo. Se a gente sabe se impor, sabe limites e é cautelosa, é tranquilo”, garante.

Apps que podem ajudar

Ninguém pode negar que a tecnologia dá uma mãozinha importante (talvez um braço inteiro) na vida de quem gosta de viajar. Por isso, conversamos também sobre alguns que a Jéssica usa durante as viagens dela, olha só.

“Em Salvador, eu também fui sozinha. Baixei o couchsurfing, liguei o hangout – que é uma ferramenta que você coloca o seu GPS e vê pessoas que estão na região e também estão disponíveis pra sair. Não é um aplicativo de relacionamento, é um aplicativo pra viajantes. Tinha dois rapazes que estavam próximos, eu deixei bem claro ‘Olha, eu não tenho interesse em nada, eu só quero sair pra comer’ e eles toparam. Nos encontramos e conheci um cara de São Paulo e um de Minas, super respeitosos, super tranquilo”, conta.

Couchsurfing também é uma ótima dica de hospedagem. Você pode literalmente ficar no sofá de alguém – ou num quarto mesmo, calma – sem pagar nada. Com uma boa pesquisa e cautela, pode ser a melhor opção para economizar na estadia.

“Tento sempre achar valores antes, mas é muito difícil. Por isso que o Blogueira Lisa existe também, porque eu não encontro valores fácil, então aqui eu tento mostrar. Eu tenho um aplicativo chamado Travel Pocket que eu sempre guardo o valor de cada coisa que eu to fazendo. Ele é um aplicativo financeiro pra viagem apenas. Eu sempre tenho, porque sempre tem alguém que me pergunta: quanto é e onde foi”, indica Jéssica.

Todas as capitais do Brasil

Agora, se todas essas viagens parecem meio “na doida” pra você, saiba que existe um plano: a Jéssica quer passar por todas as capitais do país. E não tenha dúvida, ela vai. A variante nessa história, talvez, seja apenas o tempo que vai levar. “Quero poder dizer que conheço todos os estados, mas faltam muitas (capitais) ainda. Porque todo mundo pensa que eu viajo muito… Ok, eu viajo muito, é verdade, mas tem lugar que a gente repete, que não dá pra fazer uma vez só. Curitiba, por exemplo, já fui umas 4 ou 5 vezes. Rio não tem como não repetir também…”, se diverte a blogueira.

“Mas, no total, eu acredito…. Amazonas, Pará, Distrito Federal, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Rio, São Paulo, Tocantins, Paraná, Santa Catarina. O Brasil tem 26 estados, mais o Distrito Federal, nossa, falta muito!”, conta, adiantando alguns dos próximos destinos. “Esse ano já vou fechar uma boa parte do Nordeste, já que vou conhecer João Pessoa e Natal”, conta.

Eu que escrevo pra você, poderia continuar contando sobre a Jéssica por um bom tempo, porque tem muito material e história boa por contar. Mas vou fazer melhor, vou guardar esses trunfos na manga para uma parte dois! Assim, posso te contar mais sobre as histórias de perrengue da Jéssica por aí, os planos das primeiras viagens internacionais do blog, o encontro de viajantes aqui em Manaus e como ela fez desse hobby um negócio e muito mais. Ficou curioso? Comenta aqui ou lá no Instagram que o bônus chega voando!

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