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Incêndios no Pantanal – De quem é a culpa?

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Um grande incêndio está queimando a região do Pantanal desde o mês de julho de 2020.

O rastro de destruição que está sendo deixado pelos incêndios no Pantanal já devastou uma área maior do que a cidade de Nova York, nos Estados Unidos.

No final de agosto, uma equipe composta por biólogos, veterinários e guias turísticos chegou à região para percorrer a terra afetada e procurar pelos animais feridos. O objetivo é tentar salvar o maior número de animais que for possível. Afinal, a situação é crítica e vários animais já foram mortos.

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Durante a busca, estes profissionais já encontraram onças pintadas andando pelos terrenos queimados sentindo muita fome e sede. Uma boa parte delas caminham com as patas queimadas e com os pulmões atingidos pela fumaça, necessitando, portanto, de atendimento urgente.

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Além disso, os profissionais que estão ativos nas buscas também relataram terem encontrado corpos de jacarés com as mandíbulas esticadas, o que indica que morreram sentindo a mais profunda dor. O cenário é revelador do desespero dos animais antes de serem cruelmente consumidos pelas chamas.

Os incêndios mais recentes do Pantanal representam mais uma enxurrada de chamas como tantas outras que a região já sofreu. Neste ano de 2020, os especialistas em condições climáticas tem o receio de que a situação se torne normal daqui para frente. Pois esse é um caso que acaba por refletir o aumento de incêndios que já vem acontecendo em outros lugares pelo mundo, como a Califórnia e a Austrália.

Pantanal – Incêndio histórico

Antes de definir o conjunto de fatores que contribuíram para os incêndios históricos no Pantanal brasileiro, é correto lembrar que o fogo não é uma novidade na região. Por várias décadas, os fazendeiros da região recorreram às chamas para devolver nutrientes para o solo de uma forma mais barata e, assim, renovar o pasto para o gado de corte.

Apesar disso, é válido destacar que as chamas que estão sendo registradas neste ano estão queimando a região como nunca antes. Os incêndios do Pantanal neste ano já são 4 vezes maiores do que o maior incêndio já registrado na Floresta Amazônica. E somente esse dado isolado já comprova o estrago que o fogo tem feito.

De acordo com uma análise que foi feita pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – URFJ, aproximadamente 16% do Pantanal brasileiro foi queimado em 2020. Um total de quase 24 mil quilômetros quadrados.

Afinal, de quem é a culpa?

Segundo os especialistas, existe um fator climático que contribuiu fortemente para o aumento de incêndios na região. Esse fator é o aquecimento do Oceano Atlântico, logo acima do equador. Esse aquecimento está transferindo a umidade da América do Sul para o hemisfério norte, o que pode resultar em furacões mais fortes.

Doug Morton, que é cientista da Nasa, afirmou que este é um fenômeno que surge das mudanças na temperatura do oceano. Essas mudanças são conhecidas como Oscilação Multidecadal do Atlântico.

As mudanças nas temperaturas do oceano são um dos fatores mais prováveis que promoveram as condições de seca que estão sendo percebidas no Pantanal.

Estas mesmas condições climáticas também contribuíram para a seca na região sul da Amazônia e até nos pântanos da Argentina, onde as chamas são as maiores desde 2009.

A partir de agora, existe o medo de que o problema do aquecimento global acabe desorganizando a Oscilação do oceano, o que pode fazer essa situação se tornar permanente e não temporária. Se isso se confirmar, é certo que teremos ainda mais incêndios.

Cenário político também tem a sua parcela de responsabilidade

A questão política também tem a sua parte a ser responsabilizada. O Governo Federal não tem tido sucesso nas políticas ambientais e, em alguns casos, tem subestimado a importância de projetos para o segmento.

O governo de Jair Bolsonaro enfraqueceu a fiscalização ambiental. Em apenas um ano, as verbas que são destinadas às brigadas de incêndio florestal diminuíram em quase 60%. Isso significa que o orçamento para contratar pessoal que atua no combate a incêndios florestais tem diminuído cada vez mais. Por isso, não é exagero dizer que o governo também tem parte na culpa.

Além disso, uma fala do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em uma reunião ministerial do dia 22 de abril, repercutiu negativamente e revelou um cenário caótico nas políticas ambientais do Brasil.

Na reunião em questão, o ministro Ricardo Salles disse que o governo deveria aproveitar a pandemia do novo coronavírus para ir “passando a boiada”. A fala foi creditada ao ato de simplificar normas ambientais, modificando a legislação.

A simplificação de leis ambientais proposta por Ricardo Salles foi mal vista pela sociedade. Inclusive, uma petição online foi criada na época para pedir a sua saída do governo. Mas apesar da repercussão negativa da fala, ele não correu esse risco e continua no cargo.

Uma combinação entre os fatores climáticos, que são uma realidade mundial, e uma política falha do governo brasileiro no combate à depreciação ambiental é o que forma o cenário perfeito para que os incêndios no Pantanal componham um contexto que promete ser ainda mais grave no futuro.

Por: Higor Latin/TipoManaus

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