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Crivella defender a liberdade de expressão é discurso hipócrita e incoerente

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No dia 31 de agosto, uma denúncia feita pela Rede Globo revelou um esquema que funcionários da prefeitura do Rio de Janeiro mantinham para impedir a gravação de reportagens nos hospitais da cidade. O objetivo era impedir que a população fizesse reclamações sobre o atendimento que recebia nas instituições de Saúde.

Dessa forma, a cada vez que um jornalista da emissora começava a entrevistar uma pessoa, os funcionários da prefeitura se passavam por cidadãos comuns e interrompiam as gravações com gritos de apoio a Crivella e Bolsonaro.

O que antes parecia ser uma manifestação espontânea de cidadãos logo se descobriu ser um esquema organizado que funcionava por meio de escalas combinadas no aplicativo Whatsapp.

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A denúncia chamou a atenção do Ministério Público, que agora está investigando o caso.

Um dos principais pontos que devem ser investigados são os altos salários que estes funcionários recebem para cumprir um expediente que não é oficial. Alguns deles, inclusive, chegam a receber um salário maior do que os profissionais de Saúde que atuam dentro dos hospitais.

O funcionário que foi apontado como o chefe do esquema recebe um salário superior a 10 mil reais da prefeitura, conforme informou a reportagem.

Diante da denúncia, um processo de Impeachment foi colocado para votação na Câmara de Vereadores do Rio. Mas o pedido foi rejeitado e Crivella seguiu livre de perder o seu mandato.

Prefeito Marcelo Crivella se defendeu em coletiva de imprensa

Para se defender, o prefeito Marcelo Crivella convocou uma coletiva de imprensa que foi realizada na sexta-feira do dia 4 de agosto. O objetivo da entrevista coletiva foi falar sobre o pedido de Impeachment, que foi rejeitado pela Câmara.

Na entrevista, Crivella disse que está sendo vítima de notícias falsas, especialmente por conta da proximidade do período eleitoral.

De acordo com o prefeito, o grupo dos Guardiões do Crivella foi criado pelos seus admiradores e que, embora tenha sido incluído nele, nunca organizou ações contra os jornalistas da Globo.

Na fala de Crivella: “São os Guardiões da Democracia. Quem defende a liberdade de imprensa deve suportar a liberdade de expressão”.

O que o prefeito do Rio de Janeiro se esquece é que ainda no ano passado, foi ele quem orquestrou uma ação duvidosa contra um livro em plena Bienal do Rio de 2019.

A ordem do prefeito foi a de recolher todos os exemplares do livro “Vingadores – A Cruzada das Crianças” que estavam á venda durante o maior evento literário do Brasil. O motivo por trás da censura, segundo o prefeito, era que em uma das páginas do livro, dois personagens masculinos aparecem se beijando.

Em um vídeo que publicou em seu perfil oficial no Twitter, o prefeito Marcelo Crivella disse que o beijo entre dois personagens homens caracterizava conteúdo sexual e que, por isso, o livro deveria ser proibido para menores de 18 anos.

A determinação do prefeito gerou revolta, mas também sucesso. Em pouco tempo, todos os exemplares do livro foram vendidos e uma grande coleção de livros de temática LGBT foram distribuídos gratuitamente para os leitores que estavam no evento.

Como resposta, o evento literário rejeitou o pedido de Crivella para o recolhimento dos livros e declarou: “O festival é plural, onde todos são bem-vindos e estão representados. Inclusive, no próximo fim de semana, a Bienal do Livro terá três painéis para debater a Literatura Trans e LGBTQIA+”.

Diante disso, em qual referência e histórico o prefeito Crivella se baseia para defender a liberdade de expressão? Afinal, há não muito tempo, ele feriu essa mesma liberdade dentro de um evento literário.

Por: Higor Latin/TipoManaus

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