Chinese (Simplified)EnglishFrenchJapanesePortugueseSpanish

Vice-presidente dos EUA Mike Pence rompe com Donald Trump

Mike Pence pediu à Justiça americana que rejeite um processo aberto por republicanos que tenta pressioná-lo a anular a vitória do democrata Joe Biden

Publicado em

O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, pediu à Justiça americana na noite de quinta-feira que rejeite um processo aberto por deputados republicanos que visa pressioná-lo a mudar o resultado das eleições presidenciais, no que é o mais recente dos esforços do presidente Donald Trump e de seus aliados de invalidar a vitória do democrata Joe Biden.

Em 6 de janeiro, no que é a última etapa do processo eleitoral americano antes da posse de Biden, no dia 20, a Câmara dos Deputados e o Senado se reunirão em uma sessão conjunta para contar os votos dos delegados ao Colégio Eleitoral, que se reuniram em 14 de dezembro e ratificaram a vitória do democrata. Pela legislação, cabe ao vice-presidente, que é também presidente do Senado, presidir a sessão e proclamar o resultado.

Leia também: Pós-Brexit no Reino Unido: As regras que passam a valer a partir de hoje

Continua depois da publicidade

A etapa costuma ser mais uma formalidade do processo eleitoral, mas políticos republicanos, liderados pelo deputado Louie Gohmert, do Texas, querem alterar as regras da certificação feita pelo Congresso, em uma tentativa de dar a Pence o poder de rejeitar o resultado em estados que deram a vitória a Biden.

Os republicanos argumentam que uma lei de 1887 que rege a forma como o Congresso certifica as eleições presidenciais é inconstitucional. A ação argumenta que a Constituição dá ao vice-presidente, atuando como presidente do Senado, a liberdade de decidir se os votos do Colégio Eleitoral são válidos.

Por meio do Departamento de Justiça, Pence argumentou que o processo é uma “contradição jurídica”, já que o vice-presidente não poderia ser alvo da ação. Em vez disso, os republicanos deveriam processar o Congresso, que aprovou a lei original.

Apesar de especialistas concordarem que a lei de 1887 é vaga e confusa, ela nunca foi contestada.

O processo de Gohmert não tem mérito legal e é mais uma sabotagem contra a nossa democracia — criticou a democrata Nancy Pelosi, presidente da Câmara.

A ação movida pelo grupo de republicanos é a mais recente em uma série de tentativas de Trump e de seus aliados de anular o resultado da eleição na qual o republicano foi derrotado. Biden teve 81 milhões de votos populares, 7 milhões a mais do que Trump. No Colégio Eleitoral, teve 306 votos, contra 232 de Trump.

O episódio é a primeira indicação de que Pence está rompendo com a estratégia Trump, já que ele chegou a defender as falsas alegações do presidente de que o pleito foi fraudado. Caso o pedido dos republicanos seja rejeitado pelo Justiça antes de 6 de janeiro, o vice-presidente sofreria menos pressão política quando presidir a contagem dos votos do Colégio Eleitoral.

Na quarta-feira, o senador republicano Josh Hawley, de Missouri, já havia anunciado que, no dia 6, faria objeções ao processo de certificação dos resultados do Colégio Eleitoral. Isso levaria a votações na Câmara e no Senado sobre a validade das objeções, mas não mudaria a vitória de Biden, já que a Câmara tem maioria democrata, e muitos republicanos do Senado já reconheceram a derrota do presidente.

As manobras republicanas são vistas como mais uma tentativa de transformar um processo rotineiro, que normalmente passa despercebido, em um espetáculo para agradar a base trumpista.

De acordo com a imprensa americana, o próprio líder republicano no Senado, Mitch McConnel, antes um forte aliado de Trump, teria pedido explicações a Hawley.

O senador de Missouri é visto como um potencial candidato à Presidência em 2024, e seu objetivo seria uma tentativa de angariar o apoio antecipado dos apoiadores do atual presidente.

O presidente e seus aliados estão brincando com fogo. O que temos aqui são políticos ambiciosos que acham que existe uma maneira fácil de conquistar a base populista do presidente sem efeito concreto algum, disse o senador republicano Ben Sasse, de Nebraska, criticando as tentativas de invalidar o processo eleitoral, mas sem mencionar diretamente Hawley.

Por: O Globo

SEJA O PRIMEIRO A COMENTAR

Please enter your comment!
Please enter your name here

Leia mais em