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Suspeitos de desvios na compra de respiradores durante pandemia deixam prisão no AM

Prazo de prisões temporárias se encerrou no último sábado (17). Operação investiga supostas fraudes e desvios na compra de respiradores pelo Governo na pandemia.

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Os cinco presos na segunda fase da Operação Sangria – que investiga supostas fraudes e desvios na compra de respiradores pelo Governo do Amazonas – foram liberados do sistema prisional neste domingo (18), segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).

Eles foram presos na quinta-feira (8), e o prazo das prisões temporárias em nome deles se encerrou no último sábado (17).

Foram alvos da decisão o ex-secretário de Saúde do estado, Rodrigo Tobias; a ex-secretária executiva da pasta, Dayana Mejia; o engenheiro clínico Ronald Gonçalo Caldas Santos; o marido da ex-secretária de Comunicação do estado, Luiz Carlos de Avelino Júnior; e Gutemberg Leão Alencar, apontado como “homem de confiança” do governador.

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Inicialmente, o período das prisões temporárias se encerrariam na última segunda-feira (12). Ao fim do prazo inicial, as prisões temporárias foram prorrogadas por mais cinco dias, até o último sábado (17).

Após o período, as prisões não foram prorrogadas e os presos da segunda fase da Operação Sangria foram soltos à meia noite deste domingo (18), após decisão do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Francisco Falcão, segundo a Seap.

Leia também: Justiça nomeia novos representantes de cartórios na próxima segunda (19)

Segundo a Seap, o ex-secretário de Saúde do estado, Rodrigo Tobias, o engenheiro clínico Ronaldo Gonçalo Caldas Dantas Santos, e o marido da ex-secretária de Comunicação do estado, Luiz Avelino Junior, estavam presos no Centro de Detenção Provisória Masculino 2 (CDPM2).

Gutemberg Alencar, apontado como “homem de confiança” do governador, estava preso no Batalhão de Choque e Dayana Mejia de Sousa, ex-secretária executiva da Saúde, no Centro de Detenção Provisória Feminino (CDPF).

Operação Sangria

A primeira fase da Operação Sangria apontou supostas fraudes e desvios na compra de respiradores, com dispensa de licitação, de uma importadora de vinhos — os equipamentos deveriam ser destinados ao combate ao novo coronavírus, que causa a doença Covid-19.

A PF cumpriu os mandados na sede do governo do estado, na casa do governador Wilson Lima e na secretaria de saúde, em Manaus. A operação cumpriu mandados de prisão temporária contra oito pessoas, incluindo a secretária de Saúde da época, Simone Papaiz, além de buscas e apreensões em 14 endereços de pessoas ligadas a Lima.

A PF chegou a pedir a prisão de Lima, mas o Ministro Francisco Falcão, do STJ, disse que, “ao menos neste momento”, isso não se justifica.

Segundo a investigação, foram identificadas compras superfaturadas de respiradores; direcionamento na contratação de empresa; lavagem de dinheiro; e montagem de processos para encobrir os crimes praticados com a participação direta do governador.

Na segunda fase da Operação Sangria, além os cinco presos, o vice-governador do estado, Carlos Almeida (PTB), também foi um dos alvos da operação.

Ele teve mandados de busca e apreensão autorizados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), por conta do foro privilegiado.

PF afirma que vice-governador do AM usava escritório de advocacia para combinar propina

A Polícia Federal suspeita no inquérito da Operação Sangria que o vice-governador usava um escritório de advocacia para combinar propina.

Para a investigação, a cúpula do Governo do Amazonas sabia da compra superfaturada e sem licitação dos 28 respiradores de uma loja de vinhos, em maio, quando estado passou pelo pico da pandemia. Até esta sexta-feira (16), mais de 4,3 mil pessoas morreram no estado com a Covid-19.

Linhas de investigação

Segundo investigação dos procuradores do Ministério Público Federal (MPF), que motivou a decisão da Justiça sobre a apreensão no gabinete de Carlos Almeida é que ele tinha grande influência na gestão da Secretaria de Saúde, onde atuou durante os três primeiros meses de governo.

As provas apontam, ainda, que a cúpula da Secretaria de Saúde se reportava frequentemente ao vice-governador para tratar de contratos da área de saúde, inclusive sobre pagamentos.

Na investigação, o MPF afirmou que ficou clara a participação de Luiz Avelino Júnior, marido da ex-secretária de Comunicação do Governo, Daniela Assayag, na compra de respiradores, transação feita entre o Governo do Estado e uma loja de vinhos.

No dia 1º de julho, a então secretária afirmou que o marido tinha desfeito o negócio da compra da empresa e que ele não sabia das possíveis irregularidade.

No entanto, no pedido de prisão de Avelino, consta inclusive que ele teria usado parte do dinheiro da venda dos ventiladores para adquirir 10 mil lotes de testes rápidos da Covid-19.

Os investigadores também relataram como curiosos os encontros do vice-governador em um escritório de advocacia, que seria um dos representantes de um grupo de serviços médicos, que recebeu, desde o início do ano, R$ 27 milhões em contratos com o Governo do Estado.

O MPF relatou, ainda, que as pessoas que entravam no prédio, saíam com bolsas, maletas ou mochilas.

Os procuradores também não descartaram a possibilidade de novas etapas da operação que, na primeira, mirou o governador Wison Lima, que foi alvo de foi alvo de buscas e bloqueio de bens.

Fonte: G1 Amazonas

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