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Surto de malária no Amazonas lidera ranking no Brasil

São Gabriel da Cachoeira Município registrou 7.467 casos entre janeiro e setembro de 2020, 11% a mais do que no mesmo período em 2019, aponta FVS

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A explosão de casos de malária, em especial do tipo mais letal causado pelo plasmodium falciparum, em São Gabriel da Cachoeira (AM), alerta as autoridades sanitárias do Amazonas.

Uma equipe da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM) viajou na semana passada ao município para elaborar um diagnóstico situacional do surto da doença no Alto Rio Negro e propor medidas emergenciais de controle.

Depois da crise enfrentada em 2018, São Gabriel volta a liderar o ranking de malária no Brasil em 2020, seguido por Cruzeiro do Sul, no Acre.

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Dos 7,4 mil casos de malária em São Gabriel esse ano, 31% são do tipo Falciparum, somando 2.164 casos.

O número está muito acima do considerado aceitável na Amazônia Legal, que é de até 10% das ocorrências da doença serem do tipo falciparum, explicou Myrna Barata, coordenadora estadual do programa de malária da FVS-AM.

Igualmente preocupante é constatar que, além de São Gabriel da Cachoeira, os municípios vizinhos de Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos também figuram entre os 10 com mais casos de malária em 2020 no Brasil.

Marivelton Barroso, presidente da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), do povo Baré, afirmou que o panorama é insustentável na região e exige esforços urgentes das instituições públicas responsáveis.

“Quando isso [malária] aumenta fora de controle e São Gabriel volta a ter alto índice, fica demonstrado que os serviços não estão bons. Temos que ter busca ativa intensiva. O governo precisa assumir responsabilidade conjunta entre estado e município para garantir o bem-estar da população, sobretudo dos povos indígenas do Rio Negro”, disse.

Diagnóstico tardio

Myrna apontou que o problema mais grave de São Gabriel é o diagnóstico tardio da doença por falta de ações de controle.

Nesta semana, a equipe da FVS está visitando áreas mais afetadas para elaborar um inquérito hemoscópico — uma ação de busca ativa para fazer a lâmina (testagem) de 100% da população e detectar pacientes sintomáticos e assintomáticos.

O objetivo é tratar imediatamente os doentes. “O SUS oferta diagnóstico e tratamento a todo paciente de malária de forma gratuita. Então, o que avaliamos é que a fragilidade do município está no diagnóstico tardio. E isso é muito perigoso diante da malária falciparum, que é a forma mais grave da doença e que pode matar se não for diagnosticada e tratada em tempo oportuno”, ressaltou a coordenadora.

Fonte: D24AM

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