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OMS: Epidemia se estabilizou no Brasil, mas ainda não há tendência de queda

Organização afirma que infecções atingiram platô e, com isso, país tem oportunidade para suprimir o vírus. Mas diretor adverte que é preciso ação das autoridades. "Não há como garantir que a queda vai ocorrer por si."

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O diretor de emergências sanitárias da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan, afirmou nesta sexta-feira (17/07) que a transmissão do coronavírus no Brasil atingiu um platô.

Ou seja, o número de novos casos se estabilizou e a curva não está mais subindo como antes.

Segundo Ryan, o país agora tem uma oportunidade para tentar controlar o surto. No entanto, ele advertiu que ainda não há uma tendência de queda em novas infecções e que serão necessárias ações sustentáveis por parte das autoridades.

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“O aumento de casos no Brasil não é mais exponencial, atingiu um platô. O vírus não está dobrando na comunidade como era antes, então o aumento não é exponencial”, disse.

Segundo ele, o número de novos casos chegou a um platô de 40 mil a 45 mil por dia, sem aumentos como aqueles observados em abril e maio.

Ryan afirmou ainda que o número de reprodução R agora parece estar entre 0,5 e 1,5 no Brasil. A cifra designa o potencial de propagação de um vírus dentro de determinadas condições.

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Se ele é superior a 1, cada paciente transmite a doença a pelo menos mais uma pessoa, e o vírus se dissemina. Se é menor do que 1, cada vez menos indivíduos se infectam, e o número dos contágios retrocede.

Por outro lado, ele destacou que o país ainda não conseguiu controlar o surto. “Até agora, no Brasil e outros países, é o vírus que está no comando, que está ditando as regras. Nós é que precisamos ditar as regras em relação ao vírus.”

Números

“Os números se estabilizaram. Mas o que eles não fizeram foi começar a cair de uma forma sistemática e diária. O Brasil está ainda no meio da luta. E não há maneira de garantir que a queda vai ocorrer por si”, disse.

Segundo Ryan, o país deve aproveitar a oportunidade da estabilização no número de novas infecções para suprimir de vez a transmissão.

“Há um platô, há uma oportunidade para o Brasil empurrar a doença para baixo, para assumir o controle. Para suprimir o vírus. Para isso, é necessário um conjunto de ações aplicado de forma sustentada.”

Mas essa perspectiva parece distante por enquanto. O Brasil segue há dois meses sem um ministro da Saúde. A pasta tem sido ocupada interinamente por um militar sem experiência em gestão da área.

Sob Eduardo Pazuello, as mortes e novas notificações de casos dispararam no país. Foram 61 mil novos óbitos registrados e 1,7 milhão de novos casos desde que a pasta passou a ser gerida integralmente pelos militares.

O Executivo, por sua vez, é comandando pelo presidente Jair Bolsonaro, que nos últimos meses minimizou diversas vezes a pandemia e sabotou deliberadamente esforços para a implementação de medidas de isolamento social.

Ele tem também conduzido uma disputa com os governadores, inviabilizando esforços de coordenação nacional.

2 milhões de contaminados

Nesse cenário, o país atingiu na noite de quinta-feira a marca de 2 milhões de pessoas infectadas pelo coronavírus. A nova marca foi ultrapassada menos de um mês depois de o país ter atingido o número de 1 milhão de infectados, em 19 de junho.

Diversas autoridades e instituições de saúde em todo o país, no entanto, alertam que os números reais da doença devem ser maiores em razão da falta de testagem em larga escala e da subnotificação.

O Brasil é o segundo país do mundo com maior número de casos e mortes por covid-19 oficialmente notificados.

Só está atrás dos Estados Unidos, que acumulam 3,6 milhões de ocorrências e mais de 138 mil mortes. O total de óbitos no Brasil chegou a 76.688, enquanto a taxa de mortalidade por grupo de 100 mil habitantes é de 36,5.

Fonte: Deutsche Welle 

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