Chinese (Simplified)EnglishFrenchJapanesePortugueseSpanish

“Muro de Mães” para desarmar as tropas de Trump

Barricada de mulheres funciona como escudo para proteger manifestantes antirracistas de agentes federais em Portland e inspira grupos parecidos em outras cidades dos EUA.

Publicado em

Uma barricada de mulheres de braços dados vestindo camisetas amarelas protege os manifestantes do Black Lives Matter da ação de agentes federais armados, em frente a um tribunal em Portland, no estado americano de Oregon.

Denominado “Muro de mães”, o grupo foi organizado pelo Facebook tão logo o presidente Donald Trump anunciou a intenção de enviar tropas para conter os protestos que classifica como “piores do que os do Afeganistão”.

O coletivo de mães tem enfrentado diariamente, desde o último fim de semana, ataques de gás lacrimogêneo e cassetetes, mas se mantém firme como um escudo humano. Os protestos se repetem há 50 dias, desde a morte de George Floyd, asfixiado com violência por um policial, em Minneapolis.

Continua depois da publicidade

Leia também: EUA ordenam fechamento do consulado da China no Texas; Pequim fala em retaliação

Desde maio, a jornada de manifestações em Portland teve altos e baixos. Após a investida do presidente para pôr fim ao movimento, que ele diz ser liderado por anarquistas e incendiários, os confrontos retomaram força, com violência.

Redes sociais

Uma das organizadoras, Bev Barnum, convocou voluntárias pelo Facebook, indignada após ver um vídeo no qual um manifestante era arrastado por agentes federais e colocado numa van.

“Eu me lembro de ter perguntado ao meu marido: Quando o suficiente é suficiente? Vou defender essas crianças, essas pessoas”, contou ela à MSNBC.

Outra integrante do grupo, Katie Hunt dá dicas às participantes, novatas em protestos, sobre óculos, máscaras e respiradores mais eficazes para protegê-las da fumaça do gás lançado pelos agentes.

Na linha de frente dos protestos, a corrente de mães de Portland inspirou outros grupos em cidades onde as manifestações antirracistas não arrefeceram, como Chicago, Nova York e Filadélfia.

Formado em sua maioria por mulheres brancas, o grupo não quer protagonismo em relação ao Black Lives Matter, que impulsiona os protestos.

“Se a imprensa pedir para falar com você, certifique-se de amplificar as vozes negras e não centralizar no nosso grupo. Vi muitas mães brancas conversando com repórteres e só espero que elas tenham dito coisas como “isso não é sobre nós”, mas “a verdadeira história é que as pessoas negras estão morrendo”, recomenda Katie a quem aderir ao grupo.

O envio de agentes federais a Portland é condenado pela governadora Kate Brown e pelo prefeito Ted Wheeler, ambos democratas. Ela assegura que o presidente quer desviar a atenção do público do fracasso com que conduz a pandemia do novo coronavírus.

O prefeito classifica como repugnantes e inconstitucionais as táticas do governo Trump contra manifestantes: eles são levados por agentes à paisana em vans tampouco identificadas.

Justamente por isso o procurador-geral de Oregon processa essas agências federais, sob alegação de que ultrapassam seus poderes ao ferir manifestantes pacíficos.

Mas a estratégia do Muro das Mães, criado para fazer frente às chamadas “tropas de Trump”, parece ser eficaz.

As mulheres entoam canções de ninar e desarmam a força bruta direcionada aos manifestantes. Até agora, nenhuma delas foi atingida.

Fonte: G1

SEJA O PRIMEIRO A COMENTAR

Please enter your comment!
Please enter your name here

Leia mais em
X