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Desmatamento acelera em 5 meses de governo Bolsonaro

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Dados preliminares do Deter, o sistema de satélites que monitoram o desmatamento no país, mostram que o desflorestamento na Amazônia acelerou neste mês de maio, atingindo a maior velocidade em uma década.

O que pode significar um aumento na atividade de madeireiros ilegais na região, encorajados pela decisão do governo do presidente Jair Bolsonaro de afrouxar as medidas de proteção ambiental brasileiras.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Deter detectou o desmatamento de 739 quilômetros quadrados em maio, mês em que a ação dos desmatadores sempre cresce por ser o primeiro ao fim da estação de chuvas na região.

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No ano passado, o desmatamento já tinha alcançado 550 quilômetros quadrados, e os dados deste ano são duas vezes maiores do que em 2017.

“O desmatamento está esquentando e se se mantiver essa curva ascendente vai ser um ano ruim”, disse Cláudio Almeida, coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia e demais biomas do Inpe.

De acordo com os ambientalistas, depois de cinco meses de um governo que praticamente desmanchou instituições de proteção ao meio ambiente construídas ao longo de décadas.

O Ibama, que já vinha sofrendo com a falta de recursos nos últimos anos, perdeu poder e o Serviço Florestal Brasileiro, que tem como principal atribuição hoje o Cadastro Ambiental Rural (CAR), um registro eletrônico obrigatório para os proprietários de imóveis rurais e a gestão de reservas naturais, saiu do Ministério do Meio Ambiente para o Ministério da Agricultura.

Márcio Astrini, coordenador de políticas públicas do Greenpeace Brasil, diz que o atual governo é “anti-meio-ambiente”, ainda não apresentou um plano para evitar o desmatamento e quer, na verdade, reduzir as áreas protegidas.

“Nunca ouvi o presidente ou o ministro de meio ambiente criticar criminoso ambiental”, disse Astrini. “Até hoje o governo não apresentou nenhum plano de combate ao desmatamento.”

No ano passado, o desmatamento já tinha alcançado 550 quilômetros quadrados, e os dados deste ano são duas vezes maiores do que em 2017. (Foto: Reprodução)
No ano passado, o desmatamento já tinha alcançado 550 quilômetros quadrados, e os dados deste ano são duas vezes maiores do que em 2017. (Foto: Reprodução)

“VAMOS AGREGAR”

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, um cético em relação ao aquecimento global, irritou Noruega e Alemanha, que basicamente financiam sozinhos o bilionário Fundo Amazônia de conservação da floresta, ao sugerir que os recursos sejam usados para compensar fazendeiros que tenham suas terras expropriadas em áreas protegidas.

O ministro, ex-secretário do Meio Ambiente em São Paulo, é apontado por ambientalistas como o principal operador do desmonte das leis ambientais no país.

Salles afirmou que o governo mantém seu compromisso em defesa das florestas. “Nós não vamos tirar nada, vamos agregar”, afirmou, negando que esteja planejando trocar o monitoramento do desmatamento feito pelo Inpe por empresas privadas.

E nega ainda que tenha críticas ao Inpe. Mas defende que para que as fiscalizações sejam mais precisas é necessário informações mais rápidas.

Os dados preliminares do Deter que mostram o aumento do desmatamento precisam ser confirmados ao final deste ano pelos dados do Prodes, mais acurados. Mas os ambientalistas temem o pior.

Imagens de satélite dos 12 meses anteriores a julho de 2018 mostram que 7.900 quilômetros quadrados de floresta amazônica foram desmatados, o equivalente a mais da metade do território da Jamaica.

Ainda assim, o desmatamento se mantém bem abaixo dos números do início da década de 2000, antes do Brasil investir em uma estratégia duradoura de combate ao desmatamento.

Em 2004 apenas, mais de 27 mil quilômetros quadrados foram devastados. Em 2012, o país teve o menor índice de desmatamento, 4.656 quilômetros quadrados entre agosto de 2011 e julho de 2012. A partir daí, os números voltaram a crescer.

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Fonte: Reuters
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