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Médicos que atuaram no Hospital de Combate à Covid-19 em Manaus denunciam falta de pagamento

Unidade foi aberta às pressas, em abril, quando estado passava por colapso no sistema público de saúde. Ela foi fechada após três meses de funcionamento. Empresa terceirizada e governo dizem que pagamentos estão passando por análise e auditoria.

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Um grupo de 50 médicos que atuou no Hospital de Combate à Covid-19, o Hospital Nilton Lins, em Manaus, denuncia atraso salarial pelo período trabalhado no local.

A unidade foi aberta às pressas pelo Governo do Amazonas, em abril, quando o estado passava por colapso no sistema de saúde, e funcionou por três meses.

Os profissionais que denunciam a falta de pagamento, entre clínicos residentes de cirurgia e ortopedia, são terceirizados da Empresa Líder Serviços Hospitalares.

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Eles contam que ainda não receberam, até esta segunda-feira (9), o pagamento referente a diversos plantões trabalhados. A unidade hospitalar encerrou suas atividades no dia 16 de julho.

A empresa Líder informou ao G1 que fez empréstimos bancários para pagar os valores referentes aos meses de abril e maio, mas aguarda repasse do governo para poder pagar o último mês trabalhado. O governo respondeu que o pagamento está na fase final de análise e auditoria.

Uma médica, que preferiu não se identificar, contou que não recebeu o último mês trabalhado. Segundo ela, a sensação é de ter sido enganada.

“A promessa era contrato assinado, salário em dia e tudo mais. O primeiro mês foi pago sem problemas. A partir do segundo mês, tínhamos que implorar para receber. O terceiro mês até hoje não foi pago. Nós simplesmente fomos abandonados. Fomos enganados, trabalhamos de graça”, disse.

Outra médica, que também pediu para não ser identificada, disse que trabalhou no hospital de campanha por quase dois meses, e ainda não recebeu nenhum plantão. De acordo com ela, os profissionais prejudicadas não recebem previsão de quando serão pagos.

“Eram plantões noturnos, então foi bem desgastante. Já são cinco meses sem receber pelos plantões feitos e isso é algo realmente muito decepcionante. Nós entendemos isso como descaso com o profissional de saúde que se comprometeu e se arriscou em trabalhar na linha de frente contra o Covid”, destacou.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) informou que os trâmites do processo de pagamento estão na fase final de análise e auditoria, mas não deu previsão de quando seriam finalizados.

“A SES-AM ressalta que por conta de previsão legal expressa em decreto governamental, todos os pagamentos relacionados a serviços contratados para combate à pandemia só devem ser efetivados após parecer da Procuradoria Geral do Estado (PGE-AM). As auditorias nesses contratos foram recomendadas em parecer da PGE-AM, como medida de cautela necessária para resguardar o erário”, explicou.

A Empresa Líder afirmou que prestou serviçosno hospital de 18 de abril a 5 de julho. A empresa falou, por meio de nota, que não recebeu “qualquer valor pertinente aos meses trabalhados”, mas efetuou pagamento dos meses de abril e maio, ficando pendente apenas junho.

“É dever e interesse da empresa saldar os valores o mais rápido possível, entretanto, ocorre que os valores a serem pagos são relativamente altos e a empresa já realizou diversos empréstimos bancários para saldar os demais pagamentos. Por isso, a empresa está aguardando pagamento desses serviços pela SES, os quais sofreram demora em razão de necessidade de parecer da procuradoria do Estado”, disse.

A Líder informou, ainda, que está dando andamento à cobrança administrativa dos serviços executados, junto à Unidade de Saúde Hospital de Campanha, e que mantém um grupo ativo com os profissionais de saúde, mantendo-os informados acerca do andamento dos processos junto à secretaria de saúde.

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