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Libaneses protestam contra governo após explosão e possível negligência

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Um pequeno e violento protesto foi registrado perto da entrada do Parlamento libanês no centro da capital do país, Beirute, na noite dessa quinta-feira (6).

Cidadãos furiosos e revoltados ainda tentam se recuperar da grande explosão na região portuária que matou mais de 150 pessoas e feriu cerca de 5 mil.

Dezenas ainda estão desaparecidas e mais de 250 mil ficaram desabrigadas, golpeando um país que já sofria com a crise econômica e a pandemia do novo coronavírus.

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A polícia de choque foi enviada ao protesto depois que alguns manifestantes atearam fogo em objetos e atiraram pedras contra membros da força de segurança.

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O fracasso do governo em lidar com um orçamento descontrolado, com o aumento das dívidas e da corrupção, levou alguns doadores a pressionarem por reformas.

Os países do Golfo Pérsico, que já ajudaram em outras ocasiões, se recusaram desta vez a socorrer uma nação a qual eles dizem ser muito influenciada pelo rival Irã e pelo Hezbollah.

No porto, destruído pela explosão, as famílias buscam notícias dos parentes desaparecidos, em meio a um clima de revolta com as autoridades por estas permitirem que uma grande quantidade de nitrato de amônio (material altamente explosivo), usado para fabricar fertilizantes e bombas, fosse armazenado por anos no local sem medidas de segurança.

Possível negligência

Documentos obtidos pela CNN mostram que o nitrato de amônio estocado chegou a Beirute em um navio russo em 2013, que tinha como destino Moçambique.

A embarcação parou na capital libanesa em razão de problemas financeiros e para que os tripulantes pudessem descansar, e nunca mais deixou o local.

A tripulação abandonou o navio, que foi confiscado pelas autoridades, e o nitrato de amônio a bordo foi armazenado em um hangar no porto.

De acordo com os documentos, Badri Daher, diretor da alfândega libanesa, alertou por anos sobre o “perigo extremo” de deixar a substância no local.

À CNN, ele disse que funcionários da alfândega escreveram seis vezes às autoridades solicitando que a carga fosse removida do porto, mas os pedidos não foram atendidos.

Nesta sexta (7), outros documentos encontrados sugeriram que diversas agências do governo libanês foram informadas sobre o armazenamento do nitrato de amônio no porto, incluindo o Ministério da Justiça.

A empresa que representa a tripulação do navio russo divulgou um comunicado em que diz que enviou cartas em julho de 2014 a autoridades do porto de Beirute e ao Ministério dos Transportes “alertando para os perigos dos materiais transportados no navio”.

A CNN tentou entrar em contato com as pastas libanesas da Justiça e dos Transportes e com a administração do porto, mas não teve resposta.

Ainda de acordo com esses últimos documentos, autoridades alfandegárias emitiram avisos sobre os perigos da carga a um juiz.

Mas este, que não teve o nome revelado por razões legais, respondeu várias vezes alegando que a embarcação e sua carga poderiam não estar dentro da jurisdição do tribunal. Com isso, o material permaneceu no local.

Fonte: Reuters/CNN

 

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