Venezuela recebe primeiro carregamento com ajuda humanitária da Cruz Vermelha
Venezuela recebe primeiro carregamento com ajuda humanitária da Cruz Vermelha (Foto: Reprodução)

O primeiro grande carregamento de ajuda humanitária chegou nesta terça-feira à Venezuela depois que o governo de Nicolás Maduro concordou pela primeira vez em receber ajuda externa.

De acordo com o presidente da Cruz Vermelha no país, as remessas contêm remédios e geradores de energia para equipar os principais hospitais públicos da Venezuela.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Mario Villarroel agradeceu às instituições do Estado e às organizações privadas que “tornaram possível a ajuda”.

Ele também reafirmou que os medicamentos, equipamentos e suprimentos serão distribuídos de acordo com os princípios fundamentais da Cruz Vermelha, que são a neutralidade, imparcialidade e independência.

Não permitam a politização desta grande conquista. Nosso mandato é ajudar a salvar vidas — reiterou Villarroel.

Uma comissão de trabalhadores da Cruz Vermelha, incluindo Villarroel e o vice-presidente da organização na Venezuela, se mobilizou em caravana até o principal terminal aéreo do país, o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía, para receber a carga.

As remessas chegaram por volta das 8h40, vindas do Panamá, onde está localizado o centro logístico da Cruz Vermelha para a região.

Espera-se que a ajuda atenda a cerca de 650 mil pessoas e forneça remédios e materiais para cerca de 12 hospitais da rede pública do país.

A Venezuela sofre com uma grave escassez de remédios e de suprimentos hospitalares.

Acordo com governo

Na semana passada, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) anunciou que chegara a um acordo com o governo do presidente venezuelano para expandir suas operações de assistência humanitária, oferecendo apoio a hospitais e centros de saúde.

Além disso, a Cruz Vermelha declarou que triplicou seu orçamento dedicado ao país. A organização investirá 24,6 milhões de francos suíços (R$ 91,8 milhões), para intensificar suas atividades na Venezuela.

Numa queda de braço com a oposição, o governo venezuelano havia bloqueado em fevereiro passado remessas de alimentos e remédios, enviadas pelos Estados Unidos e aliados, nas fronteiras com a Colômbia e o Brasil.

A ajuda havia sido fornecida a pedido do líder opositor Juan Guaidó, proclamado presidente interino do país com apoio da Assembleia Nacional em 23 de janeiro.

Maduro alegou que a ajuda americana enviada em 23 de fevereiro era uma “desculpa” para os EUA conseguirem realizar uma intervenção militar e derrubá-lo. Já Guaidó — reconhecido como presidente interino por mais de 50 países, incluindo Estados Unidos e Brasil — tentava furar o bloqueio, lançando um apelo aos militares para que deixassem os alimentos e remédios passarem.

O episódio resultou em algumas deserções nas Forças Armadas, mas não numa divisão maior que alguns opositores esperavam.

O presidente venezuelano, que nega que o país sofra uma crise humanitária, disse que a cooperação deve ser administrada “sem politicagem, sem politização fraudulenta e pelas formas de legalidade e respeito”.

A Cruz Vermelha reforçou nesta terça-feira que não aceitaria qualquer interferência de nenhum dos lados da disputa política.

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Fonte: O Globo

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