Mapa-múndi com dados sobre a produção e reservas de metais terras raras no mundo em 2018
Mapa-múndi com dados sobre a produção e reservas de metais terras raras no mundo em 2018

O presidente chinês, Xi Jinping, visitou na segunda-feira passada uma fábrica de tratamento de terras raras.

Embora seja rotineira, a visita, em plena guerra comercial com Washington, desperta o fantasma de um bloqueio das exportações destes metais imprescindíveis para os Estados Unidos.

A guerra comercial entre Washington e Pequim entrou em uma nova etapa com a disputa tecnológica com a Huawei, fabricante chinesa de smartphones, cuja existência está ameaçada após o embargo aos chips eletrônicos americanos e a decisão da Google de cortar os laços com o grupo.

Mas, da mesma forma que Pequim depende da tecnologia americana, Washington, como o resto dos países, tem grande dependência de algumas exportações chinesas, como as terras raras.

A gigante asiática produz 90% de terras raras do planeta – um conjunto de 17 metais essenciais na fabricação de produtos tecnológicos de ponta, como smartphones, telas de plasma e carros eletrônicos.

Por trás da visita de Xi Jinping nesta segunda – acompanhada de perto pela imprensa oficial – há uma mensagem: “a China tem uma forma de pressionar” os Estados Unidos, explicam analistas da forma Trivium China.

“Apenas caso tenhamos uma tecnologia independente, poderemos ser invencíveis”, acrescentou o presidente chinês, parecendo fazer uma relação com as dificuldades da Huawei.

Esta demonstração de força do governo chinês “não é por acaso”, confirmou à AFP o especialista em China Li Mingjiang, da Escola S. Rajaratnam de estudos internacionais de Singapura.

“Está claro que neste momento, no coração do governo chinês, estão refletindo sobre a possibilidade de utilizar a proibição das exportações de terras raras como uma arma política contra os Estados Unidos”, acrescentou.

As terras raras são “metais estratégicos” devido a suas propriedades eletromagnéticas, fundamentais para a indústria tecnológica.

A China dispõe, portanto, de uma “arma estratégica”, segundo relatório anual de matérias-primas Cyclope, e não vai titubear para utilizá-la.

Em 2010, em represália a uma disputa territorial, as autoridades chinesas já interromperam as exportações de terras raras ao Japão.

As empresas tecnológicas japonesas, muito dependentes das exportações da potência vizinha, foram duramente afetadas.

Para preservar esses recursos, Pequim já instaurou cotas de exportações de terras raras. Os Estados Unidos, a União Europeia e o Japão contestaram esta prática ante a Organização Mundial do Comércio (OMC), que lhes deu razão.

Contudo, cotas de produção estabelecidas com justificativa de proteção ao meio-ambiente continuam em vigor. A fabricação desses metais é muito poluente.

“Não podemos excluir a possibilidade que a China aumente a pressão sobre os Estados Unidos alegando problemas ambientais”, considera Kokichiro Mio, especialista em China do instituto de pesquisa japonês NLI.

Um embargo das terras raras “afetaria certo número de indústrias estratégicas” nos EUA, como a robótica, a informática, a aeronáutica e os lasers médicos, explica o analista David Lennox do gabinete Fat Prophets.

Embora o impacto não seja “imediato”, teria repercussões, já que “não há um verdadeiro substituto das terras raras”, explica à AFP.

“A China não quer entrar diretamente em conflito com os Estados Unidos”, mas as terras raras servem para “criar pressão psicológica”, afirma o analista político Chen Daoyin, de Shanghai.

O gigante asiático não é apenas seu principal produtor, mas nos últimos anos investiu em diversas explorações de terras raras fora da China, como na jazida de Kvanefjeld, na Groenlândia, considerado a segunda maior do mundo, segundo o relatório Cyclope.

Reflexo da vulnerabilidade americana, as terras raras, assim como os medicamentos, ficarão isentas do aumento de tarifas que Washington vai impor a quase todos os produtos chineses.

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Fonte: AFP

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