Moradores de Ridgecrest tiram fotos em uma recente falha aberta após dois grandes terremotos na Califórnia. Em 4 de julho, um abalo de 6.4 atingiu a região, seguido por outro abalo de 7.1, o mais intenso do Sul da Califórnia em 20 anos. — Foto: Mario Tama/Getty Images North America/AFP
Moradores de Ridgecrest tiram fotos em uma recente falha aberta após dois grandes terremotos na Califórnia. Em 4 de julho, um abalo de 6.4 atingiu a região, seguido por outro abalo de 7.1, o mais intenso do Sul da Califórnia em 20 anos. — Foto: Mario Tama/Getty Images North America/AFP

Os terremotos registrados na Califórnia na semana passada lembraram aos moradores do Estado americano que, em algum momento do futuro, o temido tremor conhecido como “Big One” (O Grande) chegará.

Trata-se do esperado megaterremoto potencialmente devastador que, em algum momento, pode atingir o oeste americano a partir de uma gigantesca e famosa rachadura chamada falha de San Andreas – resultado da movimentação de duas placas tectônicas que trazem instabilidade sísmica à região.

“(O Big One) não é sobre se ele vai acontecer, mas quando ele vai ocorrer”, dizem os geólogos que estudaram a área.

Os terremotos dos últimos dias, os mais poderosos em 20 anos, foram sentidos com maior intensidade na cidade de Ridgecrest, a cerca de 250 quilômetros de Los Angeles.

Não houve vítimas. Porém, a região registrou incêndios e danos em edificações e estradas.

Esse cenário alarmou moradores de cidades como Los Angeles, que viram lojas de material de camping e kits de primeiros socorros esgotarem seus estoques no fim de semana.

Casa parcialmente destruída pelo terremoto na Califórnia, em imagem do dia 6 de julho. — Foto: David McNew/Reuters
Casa parcialmente destruída pelo terremoto na Califórnia, em imagem do dia 6 de julho. — Foto: David McNew/Reuters

O que é o ‘Big One’?

Em inglês, “Big One” significa algo como “O Grande”.

“O Big One será um terremoto de magnitude de 7.8 ou 8 (na escala Richter) na região da cidade de San Andreas”, disse Lucy Jones, sismóloga de referência na região, em entrevista a veículos de imprensa locais.

Por sua parte, o jornalista Jacob Margolis, apresentador de um podcast chamado The Big One, disse à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, que o “Big One significa que não devemos considerar apenas a magnitude do terremoto, mas o nível de dano (que ele vai causar)”.

A Califórnia é uma região propensa a terremotos, uma vez que está sobre uma série de rachaduras da crosta terrestre, onde placas tectônicas se encontram e se movimentam.

Essa movimentação das placas fez surgir uma das mais famosas falhas do planeta, a de San Andreas.

Grandes cidades como Los Angeles, San Francisco e San Bernardino foram construídas nas proximidades dessa ranhura, que estende por 1.300 quilômetros, do norte ao sul da Califórnia. Ela separa a placa norte-americana da do Pacífico.

Visitante tira foto de cratera na região da cidade de Ridgecrest, que se abriu após terremoto que atingiu a Califórnia na sexta-feira (5) — Foto: Marcio Jose Sanchez/ AP
Visitante tira foto de cratera na região da cidade de Ridgecrest, que se abriu após terremoto que atingiu a Califórnia na sexta-feira (5) — Foto: Marcio Jose Sanchez/ AP

O Big One somente está associado à rachadura de San Andreas?

Devido a sua extensão e ao fato de dividir duas placas tectônicas, um terremoto na falha de San Andreas é frequentemente citado como o “Big One” que muitos californianos temem.

Mas o termo pode ser utilizado para se referir a terremotos em outras falhas que também podem causar graves danos.

Por exemplo, a rachadura de Hayward, localizada a leste da baía de San Francisco, foi descrita como “uma espécie de bomba-relógio tectônica” pelo geólogo David Schwartz, do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS na sigla em inglês).

O USGS considerou, em um relatório de 2018 que essa falha “é uma das mais ativas e perigosas porque atravessa uma região densamente urbanizada e interconectada”.

“Todo mundo, dependendo da área da Califórnia, tem seu próprio Big One”, diz Margolis.

O jornalista faz referência a outra falha, a de Puente Hills, localizada abaixo da cidade de Los Angeles.

Os cientistas do USGS enfatizam que a ruptura dessa falha sísmica é um evento incomum, que ocorre “a cada 3 mil anos”.

“Os cientistas se importam menos com isso porque [a falha] não é tão ativa quanto a de San Andreas, mas um terremoto poderia ser muito destrutivo em Los Angeles”, adverte Margolis.

Segundo estimativas publicadas pelo USGS em 2005, um terremoto de magnitude 7.5 em Puente Hills poderia resultar na morte de 3 mil a 18 mil pessoas e perdas materiais de bilhões de dólares.

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Fonte: G1

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