Líderes mundiais e chefes dos maiores grupos da internet assinam em Paris um compromisso para impedir a transmissão de conteúdos violentos on-line. (X00217/AFP / CHARLES PLATIAU)
Líderes mundiais e chefes dos maiores grupos da internet assinam em Paris um compromisso para impedir a transmissão de conteúdos violentos on-line. (X00217/AFP / CHARLES PLATIAU)

As grandes empresas digitais se comprometeram, nesta quarta-feira (15), a tomar medidas contra a disseminação de conteúdo extremista e violento na Internet.

Afirmam os signatários do compromisso, que inclui Google, Microsoft, Twitter e Facebook, após uma reunião realizada em Paris com vários líderes mundiais.

Este documento faz parte da mobilização internacional batizada de “Compromisso de Christchurch”.

O presidente francês, Emmanuel Macron, e a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, lançaram este movimento contra a violência on-line, no mesmo dia em que o Facebook anunciou que restringirá o uso de vídeos ao vivo.

O movimento se refere ao dia 15 de março, quando o povo neozelandês vivenciou o terrível massacre de 51 muçulmanos em mesquitas na cidade de Christchurch.

O ataque foi ainda mais chocante, porque foi exibido ao vivo por 17 minutos e “planejado para se tornar viral”, explicou Jacinda Ardern em uma entrevista ao jornal francês “Le Monde”.

“O Facebook, que foi usado como uma plataforma de transmissão ao vivo, tentou excluir o vídeo. Eles o removeram, mas foi visto 1,5 milhão de vezes e, nas primeiras 24 horas, foi colocado de novo no YouTube a cada segundo”, acrescentou.

Segundo o compromisso assinado, governos e gigantes da Internet se comprometem, conjuntamente, a “acelerar a pesquisa e o desenvolvimento” e a “elaborar procedimentos para responder de maneira rápida, eficaz e coordenada à disseminação de conteúdo terrorista e extremista violento”.

Além de França e Nova Zelândia, o compromisso foi adotado por Canadá, Irlanda, Jordânia, Noruega, Reino Unido, Senegal, Indonésia, Comissão Europeia, assim como pela Amazon, Facebook, Google, Microsoft, Qwant, Twitter, YouTube e DailyMotion.

Outros países, incluindo Austrália, Alemanha, Índia, Japão, Holanda, Espanha e Suécia, “também apoiaram o compromisso”, afirmou a Presidência francesa.

“Precisamos construir uma Internet livre, aberta e segura que ofereça a todos a oportunidade de compartilhar, aprender, inovar, mas também defender nossos valores, proteger nossos cidadãos e fortalecê-los”, declarou Macron.

Alguns não acreditam, porém, que esta iniciativa vá ter poder coercitivo.

“Trata-se de uma declaração de princípio, de uma iniciativa política. Nada mais”, considerou o chefe de redação do portal francês Next INpact, Marc Rees.

“Não é que Facebook ou Twitter não queiram, mas suprimir em tempo real um conteúdo postado on-line é simplesmente impossível”, acrescentou.

Horas antes da assinatura do acordo em Paris, o Facebook anunciou uma restrição do uso da plataforma Live, de vídeos ao vivo – a mesma que foi utilizada pelo autor dos atentados nas mesquitas de Christchurch.

A partir de agora, os usuários que violarem as regras de uso da rede social, em particular as que proíbem “organizações e indivíduos perigosos”, serão suspensos do Facebook por um determinado período a partir da primeira infração.

Além disso, o grupo reiterou que, no caso de Christchurch, enfrentou um desafio técnico: seus sistemas tiveram dificuldades para identificar as diferentes versões e montagens das imagens do vídeo original.

A empresa anunciou um investimento de 7,5 bilhões de dólares em associações com três universidades para melhorar a análise de imagens e vídeos.

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Fonte: AFP

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