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terça-feira, 26 março, 2019

Boeing ante o desafio de restaurar o 737 MAX e sua imagem

Quatro dias depois do acidente com um 737 MAX 8 da Ethiopian Airlines que deixou 157 mortos e provocou a suspensão do uso desse modelo de avião em todo mundo, a Boeing se encontra entre a cruz e a espada, na obrigação de restaurar sua imagem como construtora aérea.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu na quarta-feira imobilizar as aeronaves 737 MAX 8 e 737 MAX 9 após dias de pressão internacional e política.

“A segurança dos americanos e de todos os passageiros é nossa maior prioridade”, disse o presidente.

Esta medida está alinhada com a dos países europeus e asiáticos, particularmente com a China, que possui o mercado aeronáutico que mais cresce.

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No mercado de valores, as ações da companhia terminaram na quarta-feira com um ganho de 0,46% depois de perder mais de 11% nas duas sessões anteriores: quase 27 bilhões de dólares em capitalização que viraram fumaça.

A Boeing precisa agora responder a muitas perguntas: quanto tempo vai durar a proibição de voo do 737 MAX, que representa aproximadamente 78% de sua carteira de pedidos (atualmente 5.826 aeronaves)?

“É um mistério”, disse uma fonte do governo à AFP, acrescentando que a Boeing já estava trabalhando em uma solução.

Antes do avião da Ethiopian Airlines, um 737 MAX 8 da Lion Air caiu em outubro passado na Indonésia, e 189 pessoas morreram, em um acidente de circunstâncias semelhantes.

Cancelamento de pedidos

Os primeiros elementos da investigação indicaram um mau funcionamento do sistema de estabilização de voo, o “MCAS” (Maneuvering Characteristics Augmentation System), que poderia estar envolvido no acidente da Ethiopian Airlines.

O MCAS é um novo sistema elaborado especificamente para o 737 MAX, que tem motores mais pesados do que os 737 da geração anterior.

A Federal Aviation Administration (FAA), órgão regulador aéreo dos Estados Unidos, solicitou à Boeing que modificasse esse sistema e atualizasse os manuais de voo e o treinamento dos pilotos.

Software

“Se o problema é limitado a uma mudança de software, isso deve acontecer rapidamente e a solução é menos cara”, avalia o Goldman Sachs Group.

Em função da quantidade de aeronaves em serviço – 371, segundo a Boeing-, os reparos devem custar cerca de um bilhão de dólares, calcula Ken Herbert, analista da Canaccord.

“Mas se for determinado que é uma falha de projeto, as mudanças levarão mais tempo e serão mais caras”, alertou o Goldman Sachs, que aponta isso como o pior cenário para a companhia.

O 737 MAX deve responder por mais de 90% das entregas de aeronaves de passageiros programadas para o final do ano pela Boeing, 33% das receitas e 70% dos lucros operacionais da divisão de aviação civil, afirma ainda o banco.

Se a Boeing não parar temporariamente de produzir o 737 MAX, Michel Merluzeau, da AirInsight, questiona o que acontecerá com a taxa de entrega.

Em 2013, a Boeing continuou fabricando o 787 Dreamliner após a imobilização da frota, devido a problemas de incêndio, mas interrompeu as entregas. A proibição durou quatro meses.

“Teremos que encontrar aeroportos para armazenar os aviões. A Boeing provavelmente terá que indenizar as companhias aéreas que devem substituir o 737 MAX e terá que continuar pagando fornecedores e funcionários.

Eles não podem fechar a fábrica, devido a problemas técnicos”, explica Merluzeau.

“Desde domingo, estamos trabalhando em planos de contingência para minimizar o impacto para nossos clientes”, disse um porta-voz da United Airlines à AFP, cuja aeronave 14 737 MAX 9 faz aproximadamente 40 voos por dia.

“Não esperamos qualquer interrupção significativa de nossas operações”, acrescentou ele, sem esclarecer se a companhia aérea planeja cancelar a compra dessas aeronaves, ou alterá-las para outros modelos.

Contactada pela AFP sobre possíveis cancelamentos de pedidos, a Boeing disse que não comenta sobre seus contatos com clientes.

O contexto não é muito favorável para os clientes, já que a Airbus e seu A320 NEO também possuem uma relação de pedidos completo.

A Boeing precisa melhorar sua imagem, que foi prejudicada por três dias de má publicidade na maioria dos canais de televisão em todo mundo, incluindo chamadas para boicotar o 737 MAX nas redes sociais e dúvidas sobre a confiabilidade de suas aeronaves.

“Terão que convencer as pessoas a confiar neles novamente”, conclui Merluzeau.

Fonte: AFP

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