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Familiares prestam homenagens do lado de fora dos cemitérios de Manaus

Diferente de todos os anos, cemitérios não abriram as portas neste Dia dos Finados.

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Mesmo com os cemitérios de portas fechadas neste Dia dos Finados (2), por conta das restrições da pandemia do novo coronavírus, muita gente foi pessoalmente aos principais cemitérios da capital para prestar homenagens a familiares falecidos.

A suspensão das tradicionais visitações foi anunciada pela prefeitura, em cumprimento às medidas de segurança e prevenção contra a Covid-19, que já matou mais de 4,5 pessoas no Amazonas.

A pensionista Maria das Graças disse ao G1 que perdeu o esposo, de 65 anos, por conta de complicações causadas pelo COVID-19. Eles estavam com casados há mais de 40 anos.

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Ela foi até o cemitério Parque Tarumã, onde o marido está enterrado, mesmo sabendo que o local estaria fechado. Maria das Graças afirma que o sentimento é de saudade.

Com vistação aos cemitérias suspensas, homenagens foram feiras à distância em Manaus no Dia dos Finados — Foto: Rebeca Beatriz/G1 AM
Com vistação aos cemitérias suspensas, homenagens foram feiras à distância em Manaus no Dia dos Finados — Foto: Rebeca Beatriz/G1 AM

“É muito triste não poder entrar, ter que olhar assim de longe. Meu esposo era uma pessoa muito alegre e muito querida pela família, por todos. Infelizmente, ele se foi, mas Deus sabe o porquê. Nós sempre fomos muito cuidadosos, tomávamos todos as medidas necessárias, mas não adiantou, ele se foi no mês de maio, pela falta de conscientização das pessoas”, disse.

Além de fazer homenagens ao esposo, a pensionista permaneceu no local para homenagear a mãe dela, enterrada no mesmo cemitério há mais de 20 anos.

Entre os meses de abril e maio, quando o Amazonas atingiu o pico da pandemia, o número de sepultamentos em Manaus superou a média histórica, com 140 enterros em um único dia. A média diária é de 35.

Na época, trincheiras foram abertas para enterros coletivos. Carros funerários faziam filas e frigoríficos foram instalados para guardar os corpos que não conseguiam ser enterrados a tempo.

Há cinco meses os cemitérios têm restrições. Em caso de sepultamentos de vítimas de Covid-19, apenas três pessoas da família podem participar da despedida.

A autônoma Elza Leão também esteve no cemitério Parque Tarumã na manhã deste domingo para visitar, do lado de fora, familiares enterrados no local. Segundo ela, a revolta por não poder entrar e ter um momento com familiares é o que mais incomoda.

“A saudade aperta demais, é a saudade que faz a gente vir. Eu já sabia que estaria fechado e que a visita estava proibida, mesmo assim vim aqui ver como estava. Queria ao menos ver o túmulo, saber se está bem cuidado. É revoltante saber que os shoppings estão todos lotados, os ônibus também lotados, mas aqui, que é um espaço que não tem ar-condicionado, é um local aberto, a gente não entrar, é revoltante”, desabafou.

Comércio fraco

O comércio de flores e de velas, que costuma ser movimentado no Dia dos Finados, este ano, teve uma queda nas vendas, segundo comerciantes.

Há 23 anos trabalhando no Cemitério Parque Tarumã como vendedora de flores, Oneida Melo disse ao G1 que este é um padrão que vem se repetindo desde que os cemitérios fecharam para visitações em datas comemorativas.

“Eu nunca tinha passado por uma situação dessa nos meus 23 anos de trabalho aqui no local. É muito triste ver o que está acontecendo, não só pelas vendas em queda, mas também por todas essas pessoas, que só querem ter um momento com os familiares”, destacou.

A suspensão das visitas segue as diretrizes do decreto municipal, que regula a movimentação nos cemitérios, limitando a entrada de pessoas em sepultamentos e respeitando a recomendação de distanciamento social para evitar aglomerações, por conta do risco de contágio da Covid-19.

A medida vale para todos os cemitérios públicos gerenciados pela Prefeitura de Manaus. Desde o último dia 11 de abril, a entrada nesses locais está restrita a até cinco pessoas, estritamente ligadas a algum sepultamento acontecendo no dia.

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