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Família real britânica mergulha em crise após acusações de Harry e Meghan

Em entrevista à Oprah Winfrey, o casal real fez acusações de racismo e negligência por parte da realeza do Reino Unido

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A família real britânica enfrenta uma crise que há tempos não acontecia, depois que o príncipe Harry e Meghan, a duquesa de Sussex, abalaram a instituição com alegações devastadoras na aguardada entrevista à Oprah Winfrey.

Ao longo do especial de duas horas, o casal — que apesar da separação da família real, ainda se senta a cinco parentes de distância do trono — pintou o quadro de uma família tão obstinadamente focada em seus caminhos que deixou um jovem casal, birracial, sozinho para lidar com o abuso racista e sua própria saúde mental, forçando os dois ao silêncio e, finalmente, deixando-os sem opção a não ser fugir das garras do palácio.

Meghan disse que estava tão isolada e solitária quando trabalhava como realeza que pensou em suicídio, dizendo à Winfrey que “simplesmente não queria mais estar viva”.

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O casal criticou intensamente a forma como a instituição os tratou, e Meghan revelou uma surpreendente alegação de racismo de um membro da família real, que ameaça colocar em crise a sua reputação.

Harry, entretanto, admitiu que seus relacionamentos com o seu pai e herdeiro do trono, o príncipe Charles, e com seu irmão, o príncipe William, sofreram forte tensão nos últimos anos e sugeriu que a instituição pode ter plantado histórias na mídia que tiraram a credibilidade dele e de Meghan.

‘Eu só não queria mais estar viva’

O palácio enfrentou tempestades em várias frentes ao nascer do sol da segunda-feira (8) em Londres.

Trechos da entrevista foram implacavelmente reprisados pela mídia nos últimos dias, trazendo comparações com um relato feito pela mãe de Harry, a princesa Diana, em 1995, que lançou luz sobre o colapso de seu casamento com Charles.

Mas as revelações na transmissão de domingo podem ter ofuscado até mesmo as de Diana em magnitude, já que as confissões arrasadoras de Harry e Meghan representaram problema após problema para funcionários do palácio e membros da realeza.

Talvez, o mais pertinente tenha sido a alegação de Meghan de que um membro não identificado da família perguntou sobre a cor da pele de Archie e “o que isso significaria ou iria parecer”. Meghan disse que essas conversas chegaram até ela através de Harry.

Harry se recusou a dizer o nome do membro da família, mas falou que estava “um pouco chocado” com a conversa. Winfrey disse na CBS, na manhã de segunda-feira, que “não eram a avó nem o avô dele que faziam parte dessas conversas”. No Reino Unido, a secretária de educação e membro do parlamento, Kate Green, disse que o Palácio de Buckingham deveria iniciar uma investigação.

Os funcionários do palácio também estão lutando para responder às alegações do duque e da duquesa de que seus pedidos de ajuda em relação ao bem-estar mental e segurança deles foram ignorados pela instituição.

Em um ponto da entrevista, Meghan, lutando contra as lágrimas, disse que seus pensamentos suicidas eram incrivelmente difíceis de suportar e ela estava reticente em compartilhá-los com seu marido. “Mas eu sabia que, se não dissesse, eu faria aquilo – e eu simplesmente não queria mais estar viva”, disse ela.

Harry, cuja mãe Diana foi morta quando ele era menino, disse que ficou “apavorado” com a confissão de sua esposa. O príncipe, que é o sexto na linha de sucessão do trono, contou que existe uma cultura de sofrer em silêncio na família real.

Mas a raça de Meghan e o abuso que ela sofreu tornaram a situação ainda mais difícil para o casal, e a falta de apoio dos membros levou, acima de todos os outros fatores, à decisão dramática de deixarem de ser membros ativos da realeza em janeiro de 2020.

Eles descreveram em detalhes os momentos mais difíceis – Meghan revelando seus pensamentos a Harry horas antes de saírem para um evento; o príncipe chegando em casa do trabalho todos os dias para encontrar sua esposa chorando enquanto amamentava seu filho recém-nascido – e disse ainda que a “falta de apoio e de compreensão” foram os motivos pelos quais eles optaram por se afastar.

Meghan disse que a situação foi exacerbada em racismo e “conotações coloniais desatualizadas” que apareceram repetidamente na cobertura do casal feita pelos tabloides notoriamente ferinos do Reino Unido. Ambos descreveram uma mistura tóxica de intrusão da imprensa, amargor nas redes sociais e isolamento para uma estrutura de suporte.

Harry acrescentou que levou o assunto à família real. Ele disse a Winfrey que acredita que houve muitas oportunidades para o palácio “mostrar algum apoio público” em face do contínuo abuso racial da imprensa, “mas ninguém da minha família jamais disse nada. Isso dói”.

“Eu me arrependo de ter acreditado neles quando disseram que eu seria protegida”, disse Meghan para Winfrey.

A CNNentrou em contato com a família real para comentar o assunto.

Harry revela sérias desavenças na família

Se houvesse a mais leve probabilidade de que Harry e Meghan poderiam um dia voltar à missão da família real, a transmissão do domingo provavelmente a extinguiu para sempre. A entrevista revelou a profundidade da divisão entre o casal e o resto da família, um abismo que teria sido inimaginável quando eles se casaram em Windsor, apenas três anos atrás.

Eles disseram a Winfrey que a família tinha sido receptiva à Meghan no início, e que quando eles se casaram, estavam comprometidos com seus papéis.

Mas as coisas mudaram rapidamente. Harry contou a Winfrey que o relacionamento com seu pai, Charles, chegou a tal ponto que o herdeiro do trono parou de receber as suas ligações, de tão irritado com a decisão do casal em deixar o trabalho na realeza em 2020. “Há muito para se trabalhar ali”, disse Harry. “Eu me sinto muito decepcionado, porque ele passou por algo semelhante – ele sabe como é a dor”.

Sobre seu irmão, William – com quem Harry cresceu, e cuja infância compartilhada foi meticulosamente seguida pela mídia – o príncipe deu a entender que a comunicação é inexistente. “Nós estamos em caminhos diferentes”, disse ele, acrescentando que “a relação é o aqui, agora” e que “o tempo cura todas as coisas – espero”.

Talvez, o único ponto positivo para a família real é que a sua líder sobreviveu à entrevista relativamente ilesa. Harry e Meghan falaram efusivamente da rainha, descrevendo-a como atenciosa e gentil desde o início.

“Minha avó e eu temos um relacionamento muito bom e nos entendemos, eu tenho um profundo respeito por ela”, disse Harry. Meghan contou que tem falado com a rainha com frequência no último ano, inclusive no dia em que o príncipe Philip foi internado no hospital, no mês passado.

Meghan acrescentou que, apesar da provação, era importante diferenciar a família real “das pessoas que dirigem a instituição”.

Ela comentou sobre os rumores de uma disputa com Catherine, a duquesa de Cambridge. Meghan disse que relatos de que ela teria feito Kate chorar por causa dos vestidos das daminhas de honra em seu casamento eram falsos, e que foi, de fato, a duquesa de Sussex quem chorou. Mas “não houve confronto”, disse Meghan, descrevendo sua cunhada como uma “boa pessoa”.

Príncipe Harry e Meghan Markle participam de compromisso oficial na Abadia de Westminster  – Foto: Henry Nicholls –  Reuters

Mas a dinâmica familiar evidentemente tensa vai ofuscar os próximos eventos da realeza. Nenhuma declaração foi emitida por suas equipes de comunicação após a entrevista.

Reação de tirar o fôlego no Reino Unido 

Conforme as horas passavam e a poeira da transmissão baixava na segunda-feira (8), o Palácio de Buckingham permaneceu em silêncio. Mas a mídia britânica correu para cobrir as consequências, com alguns jornais publicando edições extras antecipadas durante a noite para mostrar a entrevista em suas primeiras páginas.

Como tantas vezes tem acontecido com o casal, a cobertura variava de moderada a histérica.

O Daily Mail publicou uma manchete dizendo “Kate Me Fez Chorar ” em sua edição das 2 da manhã, antes de publicar a acusação de racismo de Meghan, no final da manhã. O site do tabloide também incluía uma manchete proeminente que dizia: “EU QUERIA ME MATAR”.

O The Sun deu um novo apelido para Meghan, em meio à sua rixa com a família real: “Megxile”, e o Daily Express classificou a transmissão como “um chat de TV com Oprah”.

Na tarde de segunda-feira, vários jornalistas usaram a coletiva de imprensa sobre a Covid-19 feita pelo primeiro-ministro Boris Johnson para perguntar sua opinião sobre a entrevista da Oprah. Johnson se recusou a opinar, além de dizer que sempre teve “a maior admiração pela rainha e pelo papel unificador que ela desempenha em nosso país”.

O tratamento dado pela mídia ao casal real constituiu uma parte significativa da entrevista, com os dois apontando o dedo para imprensa.

Harry disse que o palácio está com “medo” da cobertura da mídia, o que significa que eles tiveram pouca liberdade enquanto parte da família.

“Para simplificar, é o caso de se você, como um membro da família, estiver disposto a beber vinho, jantar e dar acesso total a esses repórteres, então você terá uma melhor cobertura de imprensa”, disse Harry. “Existe um nível de controle pelo medo que existe há gerações.”

A entrevista foi transmitida no Reino Unido às 21h de segunda-feira, pela a emissora ITV, que venceu a corrida para adquirir os direitos. Mas seus principais pontos de discussão já haviam sido dissecados em detalhes pelos britânicos e na mídia muito antes de ir ao ar no Reino Unido.

Charles Anson, ex-secretário de imprensa da rainha, disse na segunda-feira que o casal levantou “questões que precisam ser examinadas com atenção”, mas afirmou à BBC que “não havia nenhum pouco de racismo” na família real.

Mas Julie Montagu, viscondessa de Hinchingbrooke, disse à BBC que as revelações deles foram “surpreendentes” e que, como uma mulher americana que se casou com um membro da aristocracia britânica, ela se identificava com as falas de Meghan.

“Você realmente não sabe até que esteja dentro disso, e eu acho que ela tornou isso muito conhecido na noite passada em sua entrevista”, disse ela.

Por: CNN

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