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Em Manaus: Número de mortes violentas em janeiro tem aumento de 160%

Primeiro mês do ano teve 117 registros de mortes violentas em Manaus, segundo levantamento feito pelo G1.

Durante os primeiros 31 dias de 2020, 117 casos de mortes violentas – crimes como homicídio, latrocínio, ou agressão seguida de morte – foram registradas em Manaus.

O número é 170% maior do que o registrado em janeiro de 2019. Entre os casos recentes, uma adolescente de 15 anos morreu após ser baleada por atiradores que tentavam matar um homem que pichava a sigla de uma organização criminosa, na Zona Sul de Manaus, na quarta-feira (29).

Em janeiro de 2019, Manaus teve 73 mortes violentas registradas ao longo dos seus 31 dias. A marca foi alcançada em apenas 17 dias no ano de 2020.

O mês terminou com 117 casos, com uma média de 3,7 mortes por dia, de acordo com levantamento pelo G1.

A reportagem usa como base dados recolhidos diariamente no Instituto Médico Legal e na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (Dehs).

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A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, que contabiliza as estatísticas, só repassa informações ao fim do mês, em um balanço completo.

Considerando todas as mortes registradas em todos os dias de janeiro de 2020, o aumento no número de mortes entre um ano e outro foi de 158,9%.

Em um espectro ainda mais amplo, o número de 117 mortes foi o maior em comparação com qualquer outro mês de 2019 em todo o Amazonas.

No ano passado, o mês com a maior quantidade de registros foi setembro, com 97 mortes na capital e 11 no interior: 108 em todo o estado.

Casos

Uma engenheira de 46 anos foi encontrada morta dentro do próprio carro no estacionamento de um hospital em Manaus – no dia 4.

Um funcionário da vítima, de 38 anos, foi preso suspeito de praticar o crime e afirmou que “perdeu a cabeça” durante uma discussão com a mulher.

Corpo de mulher é encontrado dentro de carro em estacionamento de hospital em Manaus — Foto: Patrick Marques/G1 AM
Corpo de mulher é encontrado dentro de carro em estacionamento de hospital em Manaus — Foto: Patrick Marques/G1 AM

Renan Souza da Gama, de 10 anos, morreu na noite do dia 9 após ser atingido por uma bala perdida durante um tiroteio no mesmo bairro. A vítima andava de bicicleta com um colega no momento que os atiradores chegaram.

No dia 11, os corpos de duas pessoas foram encontrados enterrados em pontos diferentes da Reserva Adolpho Ducke, na Zona Norte de Manaus. Uma das vítimas era um adolescente de 17 anos, que estava desaparecido desde o início de janeiro.

Dois corpos são encontrados enterrados em covas dentro da Reserva Florestal Adolpho Ducke, em Manaus — Foto: Eliana Nascimento/G1 AM
Dois corpos são encontrados enterrados em covas dentro da Reserva Florestal Adolpho Ducke, em Manaus — Foto: Eliana Nascimento/G1 AM

Na manhã de quinta-feira (16), o corpo de uma mulher foi encontrado dentro de um igarapé no bairro Tancredo Neves, Zona Leste de Manaus.

A vítima foi assassinada com nove facadas e teve o corpo jogado de um ponte.

Um dia depois, cinco homens morreram após uma perseguição policial que resultou em um tiroteio no bairro Colônia Oliveira Machado, Zona Sul de Manaus.

O carro usado pelo grupo capotou durante a fuga e, segundo a Polícia Militar, cinco armas foram apreendidas.

Carro usado pelo grupo capotou durante perseguição policial — Foto: Carlos Eduardo Pessoa/Grupo Rede Amazônica
Carro usado pelo grupo capotou durante perseguição policial — Foto: Carlos Eduardo Pessoa/Grupo Rede Amazônica

Uma adolescente de 15 anos e um jovem de 18 morreram e outras três pessoas ficaram feridas após serem baleadas no bairro Cachoeirinha, Zona Sul de Manaus, na noite do dia 29.

Segundo testemunhas, um homem pichava a sigla de uma organização criminosa, quando homens em um carro pararam e atiraram contra ele.

Operações

Com o intuito de reduzir o número de mortes violentas em Manaus, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) já deflagrou operações em diferentes zonas da capital ao longo do mês. A primeira foi a “Tentáculos”, iniciada no dia 7.

No dia 10, quando mais de 40 mortes violentas já haviam sido registradas, a SSP deflagrou uma nova operação e a Polícia Militar realizou um desdobramento da “Tentáculos”.

Na ocasião, o secretário de Segurança – coronel Louismar Bonates – afirmou que a criminalidade “não está fora de controle”.

Já no dia 13, uma outra operação da Secretaria resultou na prisão de nove pessoas.

Nenhuma das prisões envolvia os crimes de homicídios e mortes violentas registradas na capital.

Na noite do mesmo dia, foi deflagrada a operação “Tentáculos 2”, da Polícia Militar, com 180 policiais de 33 viaturas empregadas nas zonas Norte, Leste e Sul.

Presos durante operação estavam com trouxinhas de drogas, com motos com restrição de roubo, além de suspeitos de assalto. — Foto: Divulgação/SSP-AM
Presos durante operação estavam com trouxinhas de drogas, com motos com restrição de roubo, além de suspeitos de assalto. — Foto: Divulgação/SSP-AM

No início da manhã do dia 15, foi deflagrada a operação “Domínio da Lei”, que visou cumprir 200 mandados – entre prisão e busca e apreensão.

Ao fim da operação, 38 mandados foram cumpridos e 17 pessoas foram presas – entre elas, uma mulher, que sofreu uma tentativa de homicídio e foi apontada pela SSP como mandante de parte das mortes ocorridas em Manaus.

Na noite do dia 18, quatro homens foram presos durante a operação “Pronta Resposta Sul”.

Além das prisões, a polícia apreendeu uma pistola 380 milímetros, com cinco munições não deflagradas. A ação ocorreu em áreas vermelhas dos bairros da Glória, Betânia, São Lázaro e comunidade do Céu.

O que dizem autoridades?

Em entrevista à CBN, o comandante-geral da Polícia Militar do Amazonas, coronel Ayrton Norte, classificou as mortes como reflexo da “batalha do tráfico” – evitando o termo “guerra”.

Ele afirmou ainda que a PM deve montar uma base no Médio Solimões para contar o número de entrada de armas no Amazonas.

“Em 2019 o Brasil inteiro mostrou que, não só o Amazonas, mas o Brasil inteiro teve uma redução. Nunca tivemos um ano tão tranquilo. A incidência é assim, tem o pico e tem a queda. Não temos guerra de fação em Manaus, a guerra está no país inteiro. O que nós temos são batalhas, e aqui nós vamos vencer”, afirmou o coronel.

A equipe da DEHS investiga o possível envolvimento de detentos do sistema prisional que possam ser considerados mandantes de algumas das mortes pela cidade, segundo o delegado Paulo Martins.

“A gente percebe que gente dentro do sistema prisional também está dando ordem para que homicídios acontecem aqui fora. Estamos identificando essas pessoas e vamos representar pela prisão preventiva deles, mesmo estando presos eles devem responder por esses crimes”, afirmou.

O G1entrou em contato com a Polícia Civil e a Secretaria de Segurança para questionar o andamento das investigações e atuação em cima da situação na capital.

Em nota, a PC afirma que a SSP é a responsável pelas informações referentes ao caso. A reportagem aguarda posição do órgão.

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