O governo virou uma usina de crises
Deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Samuel Moreira (PSDB-SP) durante entrevista sobre relatório da reforma da Previdência Foto: Jorge William / Agência O Globo

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), acusou o governo Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes , de criarem crises desnecessárias e voltou a defender que, apesar do Palácio do Planalto, o Congresso aprovará a reforma da Previdência .

O governo virou uma usina de crise permanentes que não atingirá a Câmara dos Deputados — disse Maia em entrevista concedida nesta tarde na capital paulista.

Segundo o deputado, o chefe da equipe econômica de Bolsonaro tem uma visão distrocida do que é diálogo e democracia.

A aprovação da reforma no primeiro semestre está mantida. Estamos blindados de crises, não chega ao Parlamento — afirmou.

Mais cedo, no Rio, o ministro da Economia, Paulo Guedes, fez duras críticas ao parecer do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), relator da reforma da Previdência na Comissão Especial da Câmara.

Guedes afirmou que as mudanças feita pelo relator, a partir das sugestões apresentadas pelos deputados, obrigarão o país a fazer uma nova reforma da Previdência dentro de quatro a cinco anos.

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Maia lamentou que Paulo Guedes, de quem é aliado desde o período eleitoral e com o qual vem negociando várias medidas, tenha deixado de lado o espírito conciliador após ter sua proposta de reforma modificada pela Câmara.

Pela primeira vez o bombeiro é a Câmara. O ministro da Economia é sempre o que gera mais tranquilidade, dessa vez não — afirmou Maia que destacou que esperar aprovar um texto que gere uma economia de até R$ 900 bilhões em dez anos.

Incisivo, o presidente da Câmara afirmou que os deputados estão comprometidos com a reforma da Previdência e trabalhou para concluir com celeridade uma proposta, que foi negociada e pactuada:

A democracia não é o que um quer

Maia disse ainda que pediu para diversos deputados estarem presentes no Congresso no final do mês para votar o texto do relator da reforma da Previdência na Comissão Especial até o dia 26 de junho.

Queremos que ela seja votada no dia 25 ou 26 de junho e vamos deixá-la pronta para o plenário.

Maia também rebateu a crítica de Guedes sobre a regra de transição dos servidores apresentada no texto do relator.

O deputado disse que o ministro assinou uma proposta benéfica para os militares em relação ao conjunto da sociedade.

O presidente da Câmara chegou a distribuir à imprensa um documento em que o ministro avalizava uma regra regra de transição para os militares, que impedia uma economia estimada em R$ 80 bilhões nos próximos 10 anos.

Quem fez uma transição que beneficiou corporações foi o ministro e o presidente da República. É só você pegar o projeto dos militares — afirmou Guedes.

Estados e municípios

O presidente da Câmara disse também que é preciso ser otimista em relação à possibilidade de voltar a incluir servidores públicos estaduais e municipais dentro das novas regras de concessão de aposentadorias que estão sendo discutidas na Câmara.

Ele disse que já conversou com diversos governadores e vai trabalhar para que os servidores dessas esferas de poder voltem ao texto da reforma.

Queremos reintroduzir estados e municípios. Vamos trabalhar para isso. Nosso papel é, até o último minuto, seja na Comissão ou no plenário, trabalhar para isso — afirmou.

Maia afirmou que é preciso mostrar aos governadores a importância da reforma e evitar disputas locais.

A gente precisa votar com a razão e a razão diz que todos precisam ajudar, deputados, senadores, governadores e prefeitos — disse.

Sem forçar a barra

Em café da manhã com jornalistas que cobrem o Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro  minimizou a retirada de pontos do texto original  da reforma da Previdência, como a questão dos servidores de estados e municípios.

Segundo ele, parlamentares perceberam que alguns governadores queriam a aprovação da proposta sem assumir eventuais desgastes e, por isso, foi natural que de dentro do Congresso tenha vindo “uma onda” para desvincular a reforma de servidores estaduais e municipais.

Se a gente forçar a barra, a gente pode não aprovar nada — comentou o presidente.

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Fonte: O Globo

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