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segunda-feira, 22 abril, 2019

Banido por corrupção, Blatter faz o Palmeiras campeão mundial

“Eu não sabia de nada.”

“A Fifa foi sequestrada (por dirigentes corruptos).”

“Os políticos brasileiros usaram a Copa de 2014.”

“Nos apresentaram projeto de 17 estádios para o Mundial do Brasil.”

“O Palmeiras foi o primeiro campeão mundial de clubes e ponto final.”

Quem levar a sério as declarações do ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, ao UOL, deve aproveitar e o canonizar.

Transformá-lo em santo.

O período de 17 anos que comandou a principal entidade do futebol mundial foi marcado pela corrupção.

Doze dirigentes com quem mantinha contato íntimo foram presos, cumprem pena. Foram banidos do futebol, como José Maria Marin foi ontem.

Blatter aprendeu a explorar o potencial financeiro do futebol nos 24 anos que foi secretário-geral de João Havelange.

Viu como o brasileiro manipulava, amarrava contratos de empresas bilionárias como fabricantes de material esportivo, cartões de créditos, cervejarias com governantes interessados em se aproveitar politicamente das Copas do Mundo.

Na gestão de Blatter, os dirigentes da Federações e Confederações de Futebol ficaram milionários.

Servindo de intermediários para empresas de mídias esportivas nas vendas dos direitos dos torneios com o carimbo da Fifa.

Foi uma nascente de corruptos.

O dinheiro era fácil demais.

E não havia fiscalização, transparência.

Blatter fazia questão de ser tratado como um chefe de estado.

Sabia o poder que tinha ao levar uma Copa do Mundo à África do Sul, ao Brasil, à Rússia, ao Qatar.

De forma escancarada, ele apoiou as quatro candidaturas.

De acordo com jornalistas europeus, Blatter queria esses quatro Mundiais em países de governos fortes e imprensa fraca.

Conseguiu.

O que Blatter fez na Copa de 2014 no Brasil foi simples.

Exigiu 4 bilhões de dólares livres para a Fifa. Foram cerca de R$ 15 bilhões.

O então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, jurou que o dinheiro da Copa do Muno no Brasil sairia das empresas particulares. Não dos cofres públicos.

O que se provou ser uma enorme falácia.

Coube ao país bancar aquele desastroso Mundial.

Grandes potencias ficaram de fora das Copas no período Blatter.

A arrogância e a ganância de Blatter não o deixaram ver os poderosos inimigos que criou.

Principalmente os Estados Unidos.

Ao perderem o Mundial de 2022, a cúpula política do país resolveu fazer uma devassa nas contas envolvendo os dirigentes da Fifa.

As que passavam por bancos norte-americanos antes de chegar a paraísos fiscais.

Foi aí que se revelou a podridão no reino de Blatter.

João Havelange disse que Sepp sempre foi muito hábil.

Tanto que efetivamente dele nada foi descoberto.

Mas o dirigente acompanhava a extrema riqueza de dirigentes, sem limite de mandatos, em triste comparação com o país que representavam.

O dinheiro vinha da corrupção que Blatter diz não enxergar.

Depois de apenas três dias do quinto mandato, teve de renunciar.

Foi suspenso, impedido de assumir qualquer cargo no futebol até 2021, quando terá 85 anos.

Sua única luta agora é tentar preservar o seu legado.

Não ser lembrado como mais um presidente da Fifa corrupto.

Presidentes, reis faziam imploravam por audiências.

Por reuniões com Blatter.

Significavam a possibilidade de Mundiais, de todas as espécies, desde de garotos até femininos, movimentando bilhões de dólares.

Exilado, sem poder algum, desmoralizado, Joseph não é nem sombra do homem que foi.

A cada entrevista que resolve dar, decide fazer um agrado ao país de origem do jornalista que o entrevista.

O meu parceiro de anos, Jamil Chade, o ouviu em Zurique.

E lógico que Blatter tinha reservado o tal ‘agrado’.

Dizer agora que o Palmeiras é o primeiro campeão mundial não tem peso algum.

A Fifa só reconhece clubes campeões do mundo a partir de 1960.

A medida foi assumida por Gianni Infantino, de maneira clara, definitiva.

Nos 17 anos que Blatter teve o poder nas mãos, fez questão de deixar tudo nebuloso.

A Copa Rio era analisada como uma competição importante, mas com clubes convidados, sem a trajetória exigida para que o torneio fosse efetivamente considerado um Mundial.

“Eu posso dizer porque não sou mais presidente da Fifa. Para mim, é Palmeiras”, disse, aos risos, para a Folha de S.Paulo, durante o Mundial da Rússia.

O mundo sabe.

Blatter representa o período de maior corrupção confirmada na Fifa.

Muito se fala sobre o reinado de João Havelange.

Mas a devassa aconteceu sob o comando do suíço.

Abandonado, só restam as lembranças.

Ele sabe que não voltará a ter cargo no futebol.

Por isso aproveita as entrevistas.

Faz algumas revelações que não o comprometem.

Se diverte agradando o entrevistador.

E nega o óbvio.

Como garantir que não sabia o que acontecia.

Surfava feliz no mar de corrupção da Fifa…

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Fonte: R7.com

 

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