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A representatividade das mulheres na política

O Brasil tem vivenciado nos últimos anos um intenso debate público em questões que envolvem os direitos das mulheres. O assédio, aborto, maternidade e igualdades de oportunidades e de salários com o sexo masculino, vem sendo discutidos de forma contundente no âmbito social e político.

Direitos das mulheres é uma causa que mobiliza o mundo todo, não se tratando de anseios apenas das brasileiras, mas é verdade que em nosso país as coisas não andam tão rápido como deveriam. Muito se conquistou nos últimos trinta anos, como melhores leis protetivas e liberdade de participação política. Todavia, quando o assunto é a participação em pleitos para cargos eletivos, nosso país ainda está muito longe do desejado.

As mulheres ainda encontram muitas dificuldades de ocuparem cargos mandatários, serem eleitas ou terem voz ativa nas tomadas de decisões políticas. Tudo é o reflexo de um contexto histórico, que ainda não foi possível superar, o que acaba por incutir certa desconfiança da sociedade e, consequentemente, a diminuta participação delas nos pleitos eleitorais.

Quando o assunto é a participação da mulher no cenário político, o Brasil apresenta um dos piores índices de representabilidade. Segundo o Inter-Parliamentary Union, ocupamos o terceiro lugar na América Latina, quando se trata de representabilidade feminina em âmbito parlamentar. No ranking mundial estamos com uma média de 10% a menos que a maioria dos países, sendo que desde 1940 não temos nenhum avanço.

O incrível é que no cenário, onde 51% dos eleitores brasileiros são do sexo feminino, se observa taxas muito baixas de representatividade, tanto em esferas municipais, estaduais e federais.

Apesar do estabelecimento de cotas, já que a lei assegura que pelo menos 30% das vagas sejam destinadas ao sexo feminino, isto pouco tem contribuído para uma mudança cultural do nosso país sobre esta questão.

É verdade que a grande maioria das candidatas que buscam cobrir essa conta obrigatória são apenas para cumprir os aspectos regimentares, sem nenhuma possibilidade de realmente virem a lutar de igual para igual com o sexo oposto pelas vagas nos parlamentos.

Ainda existem algumas que são consideradas candidatas “laranjas”, além de serem usadas para atingir o coeficiente necessário que estabelece a lei, como exigência do processo eleitoral, e apesar de não atuarem efetivamente, constam pagamentos de verbas para suas campanhas, que infelizmente não sabemos como verdadeiramente são usados esses recursos.

E aí fica uma pergunta: será que o sistema de cotas tem melhorado a participação das mulheres no cenário político?

Os números comprovam que não, como já mencionei anteriormente, nada mudou desde 1940 em termos de representatividade das mulheres no cenário político nacional.

Quais seriam as consequências da sub-representação das mulheres na política.

Acredito que a falta de representatividade feminina nos centros das grandes decisões, se reflete principalmente, no planejamento e execução de políticas públicas que levem em consideração as necessidades das mulheres.

É verdade que o público feminino é maioria em nosso país, como tal, deveria ter um poder maior de decisão em todas as esferas, no que diz respeito a questões fundamentais, tais como: saúde, educação e segurança pública.

Uma questão muito em voga é a dos assédios sexuais que as mulheres sofrem em transportes públicos. Apesar de uma grande demanda por criação de leis que melhorem essas condições, como a criação de vagões exclusivos para mulheres em trens ou até mesmo sanções mais pesadas para infratores nesse tipo de crimes, não encontram um apoio no congresso, como deveriam, por pura falta de uma representatividade feminina, que realmente poderiam sentir mais empatia com a causa.

Muito se questiona se a maior representatividade das mulheres na política representaria uma maior solução de demandas para a classe.

Para a pesquisadora norte-americana Merike Blofield, esse progresso não se dá de forma automática. Segundo ela há um fator cultural na questão. Sua pesquisa mostrou que países como o Uruguai, onde a representação ainda é muito baixa, a agenda de soluções políticas no que tange as necessidades das mulheres é bastante avançada, por outro lado, nos Estados Unidos, que tem muito mais representabilidade feminina, as agendas não fluem tão facilmente.

Será que existe uma fórmula de aumentar a representação feminina no cenário político
brasileiro?

É verdade, que as mulheres vem a cada ano encontrando seu espaço em todos os cenários. Mas quando o campo é político, ainda há certo conservadorismo que não permite nos ver um cenário mais promissor a curto prazo.

Apesar de grupos acadêmicos e institutos voltados para o desenvolvimento social, tais como Instituto Patrícia Galvão (IPG), alguns deles com o apoio do Superior Tribunal Eleitoral e da ONU Mulheres, buscam através do debate encontrar aberturas que possam cada vez mais permitir que a mulher venha desempenhar seu papel social e, principalmente, ter poder de voz e de decisão, nas assembleias públicas.

É necessário que os poderes constituídos se comprometam com uma agenda mais igualitária e que a sociedade possa pressionar seus representantes a fazerem essas mudanças legais, bem como, por uma mudança de cultura dar mais credibilidade a figura feminina em cargos de liderança política.

Seja, homem ou mulher, cabe-nos apoiar tudo aquilo que leva ao fortalecimento da igualdade social em nosso país.

Essa é minha opinião como cidadão, caso tenha gostado do artigo, não deixe de comentar e compartilhar. Podemos criar um grande fórum digital para um debate franco, em busca de soluções que possam tornar nossa sociedade mais justa.

Por: José Baptista Santos 

Contatos: @jbsantosmaster [Instagram e Facebook] e WhatsApp: (92) 98201-2859.

Sobre o autor: Formado em Marketing pela UNINORTE – Laureate International Universities, consultor em desenvolvimento pessoal há mais de 20 anos, tendo publicado cinco livros pela Editora Luzazul.

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