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Como escolher os investimentos para os seus filhos

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Aquela poupança que muitas crianças tinham ficou – ou deveria ficar – no passado com o patamar atual da taxa de juros. Isso porque ela já rende menos que a inflação e perde valor mais rápido do que o videogame recém lançado no mercado. Mas onde investir os recursos das crianças?

Os pequenos podem investir em praticamente todos os produtos, tanto da renda fixa, quanto da variável. Mas, como mãe e economista, eu oriento os meus filhos a investirem na renda variável e quero hoje explicar por que acredito que essa seja a melhor opção para todas as crianças.

Antes de mais nada, quero alertar que a renda fixa não estimula os pequenos, pois na cabecinha deles não faz muito sentido investir em algo desconhecido e que não faz parte do dia a dia. Já a renda variável representa a economia real. Isso quer dizer que os seus filhos podem entender com mais facilidade que são sócios de empresas quando elas estão em suas rotinas.

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O seu filho gosta de carne? Temos frigoríficos para investir! Gosta de shopping? Existem as ações de shoppings e, até mesmo, os fundos imobiliários. Games? Viajar? Lá estão também os papéis dessas companhias. Com as ações, as crianças entendem que existem empresas por trás do que comem, do que vestem e dos momentos de lazer.

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Essa diferença entre a renda fixa e a renda variável vai muito além de rentabilidade e riscos dos ativos, ela está, na realidade, na base da educação financeira das crianças.

Você quer investir dinheiro para os seus filhos ou quer ensiná-los a ter uma relação saudável com as finanças? Escolher o produto adequado irá fazer toda a diferença neste aprendizado e na consequente transmissão de valores sobre o lugar do dinheiro nas nossas vidas.

Na renda variável, os instrumentos para a educação das crianças são diversos e, um deles, meu preferido, são as ações. A ação representa uma fração do capital de uma empresa e, portanto, quem investe em ações está comprando um pedacinho dessa companhia, tornando-se sócio dela.

É fundamental que as crianças entendam a responsabilidade que acompanha o ato de investir em uma ação, já que estamos educando-as financeiramente para tornarem-se investidoras no longo prazo, e não poupadoras.

Mas antes de sair investindo, vamos ao bê-á-bá das ações. Existem duas categorias de ações, as preferenciais e as ordinárias. Cada uma diz respeito a um tipo de participação societária.

Nas ações ordinárias, o investidor ganha direito a voto nas assembleias de acionistas e, portanto, participa das decisões da empresa. As ações preferenciais, por sua vez, não dão o direito a voto. Há também as Units, que unem ações preferenciais e ordinárias em um mesmo papel.

Como saber o tipo de ação? Cada papel é negociado na Bolsa de valores com um código, que também é chamado de ticker. Esse código é composto por letras e números.

As letras representam a companhia emissora dos papéis, o número indica qual o tipo de ação negociada. Exemplo: KLBN3 e KLBN4 representam, respectivamente, o código de negociação das ações Ordinárias (ON) e Preferenciais (PN) da Klabin, uma das maiores produtoras e exportadoras de papéis do Brasil. Já o ticker KLBN11 é a Unit e representa a junção de 1 ação Ordinária e 4 Preferenciais.

Como você pode ver, na Bolsa existem maneiras diferentes de se tornar sócio de uma mesma empresa.

E por que é importante saber o ticker da empresa? A negociação de ações no Brasil desde 1999 é realizada por meio do home broker, uma plataforma on-line em que o cliente pode submeter ordens de compra e venda de forma prática, rápida e autônoma. O acesso ao home broker se dá pelas corretoras de valores.

No home broker, não adianta tentar procurar pelo nome da empresa para investir, você precisa saber o ticker do papel que deseja comprar ou vender para submeter uma ordem. O ticker pode ser encontrado em uma busca rápida no Google ou diretamente no website da B3.

As ações são negociadas na Bolsa em lotes de 100 papéis, mas nem todo mundo pode comprar 100 ações de uma vez. Nesses casos, é possível fazer a compra fracionada do lote, adquirindo entre 1 e 99 unidades de ações, conforme desejado. Para comprar ações no fracionário, basta adicionar a letra F no fim do ticker: KLBN3F.

Na renda variável, a rentabilidade é construída pela valorização dos ativos e, quando aplicável, pela remuneração dos dividendos das empresas. Dividendo é o resultado do sucesso (lucro) das empresas em que acreditamos e para as quais emprestamos o nosso dinheiro. Diferentemente da renda fixa, em que a rentabilidade é adquirida pelos juros pagos pelas aplicações.

O processo de compra e venda de ações é rápido e intuitivo. Como tudo na vida, com prática, essas operações ficarão cada vez mais simples. O ato de investir, assim como o de desinvestir, deve ser realizado em etapas, exercitando a arte da paciência e a disciplina.

Por isso, o importante é sempre dar o primeiro passo e manter a consistência. Comprar todos os meses no fracionário, como eu mostrei acima, é mais eficaz na educação financeira do que juntar todo o dinheiro para comprar o lote cheio de uma vez.

As decisões de investimentos são pessoais e, no caso das crianças, pertencem à família. Eu aconselho aos pais terem a senha da assinatura eletrônica da corretora e sempre acompanharem as crianças nas compras e vendas de produtos financeiros.

Na minha casa, nós fazemos isso uma vez ao mês, quando o dinheiro sai do banco para a conta na corretora, em transferências já programadas e automatizadas.

Quando um ativo se desvalorizar, explique ao seu filho que, na economia real, acontece assim: às vezes, a empresa vende mais e, às vezes, menos; ora faz investimentos que aumentam suas vendas, ora nem tanto.

A jornada de investimento, como todas as outras da vida, é realizada em etapas. Mais do que um patrimônio financeiro, educar as crianças para administrá-la com tranquilidade no futuro é fundamental para criarmos filhos livres e aptos para usarem o dinheiro em prol dos seus sonhos na vida adulta.

Fonte: Forbes

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