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Inflação tem maior alta em 25 anos em maio

Índice acelerou e subiu 0,83% no mês, pressionado por aumento da conta de luz e dos combustíveis. Alta em 12 meses é a maior desde setembro de 2016

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A inflação acelerou em maio e subiu 0,83% em relação a abril, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira. É a maior alta para o mês em 25 anos.

O avanço é resultado, principalmente, do aumento na conta de luz, em razão do acionamento da bandeira vermelha, e da alta nos preços de combustíveis.

Em 12 meses, o IPCA registra alta de 8,06%. É a maior alta nessa base de comparação desde setembro de 2016, quando o indicador chegou a 8,48% em 12 meses.

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Com o resultado, o indicador permanece acima do teto da meta de inflação estabelecida para o ano. A meta de inflação do Banco Central para este ano é de 3,75%, podendo variar entre 2,25% e 5,25%.

Analistas ouvidos pela Reuters projetavam alta de 0,71% para o mês e 7,93% em 12 meses. Em abril, o IPCA avançou 0,31%.

Alta de 45% da gasolina em 12 meses

Todos os nove grupos pesquisados apresentaram alta em maio. O maior impacto e variação veio do grupo Habitação, que passou de 0,22% em abril para 1,78% em maio.

O avanço tem relação com o aumento da tarifa de energia elétrica e a alta na taxa de água e esgoto. Os preços do gás de botijão e do gás encanado também subiram.

Os preços do grupo Transportes, que chegou a recuar 0,08% em abril, subiu 1,15%. A gasolina, cujos preços chegaram a recuar em abril, voltaram a subir em maio. No ano, o combustível acumula alta de 24,70% e, em 12 meses, de 45,80%.

Os preços do gás veicular, do etanol e do óleo diesel também subiram em maio, com altas de 23,75% e 4,61%, respectivamente.

Carnes sobem 38% em 12 meses

Pedro Kislanov, gerente da pesquisa do IBGE, explica que o aumento do IPCA  tem relação com os preços administrados, principalmente energia elétrica e gasolina, e pouca conexão com aumento da demanda:

Ainda é cedo para falar em pressão de demanda. Apesar de estarmos em um cenário de recuperação econômica, como mostrou o resultado do PIB, ainda temos o desemprego alto e renda comprimida.

A inflação de alimentação e bebidas (0,44%) ficou próxima à do mês anterior (0,40%), pressionando menos o índice que nos últimos meses. Mas o preço das carnes continua a pesar no bolso do brasileiro. A alta acumulada em 12 meses é de 38%.

O que tem pesado no caso das carnes é o aumento das exportações, sobretudo para o mercado chinês, e o aumento dos custos de produção. Alguns insumos fundamentais para a ração, como a soja e o milho, tiveram grande valorização no mercado internacional, o que reflete no preço para o consumidor final – afirmou o pesquisador.

Inflação dos mais pobres supera IPCA

O IBGE também divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação percebida por famílias com renda entre um e cinco salários mínimos mensais. O indicador chegou a 0,98%, superando o avanço de 0,83% no IPCA.

Essa é a maior variação para um mês de maio desde 2016, quando o índice foi de 0,98%. No ano, o indicador acumula alta de 3,33% e, em 12 meses, de 8,90%.

A expectativa dos analistas é que os preços administrados continuem a pressionar o bolso do consumidor nos próximos meses. Isso porque a crise hídrica, que tem levado à baixa no nível do reservatórios de hidrelétricas, fez a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acionar o segundo nível da bandeira vermelha.

O patamar 2 entra em vigor em junho, com cobrança adicional de R$ 6,243 para cada 100 quilowatts-hora consumidos. Desde maio, a conta de luz já está mais cara devido ao patamar 1 da bandeira vemelha.

Perspectivas para 2021

Assim, é esperado que a inflação avance em junho diante da mudança na tarifa de energia. Além disso, o choque ocasionado pelo preço elevado das commodities tem custado a se dissipar.

O resultado dessa alta dos preços sobre o IPCA é um avanço do indicador em 12 meses, o que tem aumentado a pressão sobre o Banco Central para subir a Selic, taxa de juros básica da economia.

Como o efeito de uma alteração na Selic leva de seis a nove meses para chegar à economia real, analistas avaliam que a inflação em 2021 ficará acima do teto da meta, mas ainda acreditam que a inflação voltará aos trilhos em 2022.

Segundo último Boletim Focus divulgado na segunda-feira, a previsão de analistas do mercado para a inflação de 2021 subiu de 5,31% para 5,44%. Já a expectativa sobre a inflação de 2022 chegou a 3,70%. A meta de inflação do ano que vem está fixada em 3,5%.

*Com informação da Reuters

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