Foto: Divulgação

Essa semana, acontece o Festival Folclórico de Parintins, o maior festival do Estado. Seja assistindo ao vivo ou pela TV, é algo de encher os olhos de tão lindo que é essa festa dos bumbás Caprichoso e Garantido.

O Festival de Parintins tem como anfitriões dois bumbás, nascidos das tradicionais brincadeiras de ruas, das promessas e das lendas, que passaram pelos tablados e hoje são os donos da festa na arena do Bumbódromo.

Foto: Elcio/Vídeo Park/Divulgação

No enredo central das apresentações, um ponto de partida: o Auto do Boi que conta a saga de um boi que morre e ressuscita dando vida a um grandioso e mágico espetáculo a céu aberto.

Caprichoso: Legado Azul

Fundado em 1913, pelas mãos de famílias nordestinas que fincaram raízes, e até hoje brincam e participam do legado de seus ancestrais.

A brincadeira nasceu nos quintais das casas de madeira, sob as sombras de frondosas mangueiras, castanholeiras, logo ganhou as ruas da cidade, incorporou as tradições locais, se misturou, se miscigenou, se renovou.

Cercado pelos mistérios e pelos povos da floresta, não demorou para que um pajé fosse o responsável pela ressurreição do boi mais querido da fazenda.

Os versos de saudação e enaltecimento, que soavam fortes nas vozes dos Cid e dos Gonzaga, com o surgimento do contrário, logo se transformaram em desafios fortes. Estava aceso o estopim da rivalidade entre azuis os do lado de lá!

Foto; CTB Agência

As pessoas passaram como sempre passam, mas o nosso boizinho não, ele apenas era recebido por seu novo dono, uma nova família que, tradicionalmente, se tornava a guardiã do boi, responsáveis por organizar as saídas do boi nas ruas de Parintins.

Eram marceneiros, pescadores, caçadores, caboclos, residentes do bairro ribeirinho chamado Francesa, de outro chamado Palmares, do Aninga, do Centro, de todos os cantos de Parintins, por isso é Boi de Parintins, de toda Parintins!

Foto:: Emiliano Capozoli/Folhapress

Em 1965, o primeiro festival folclórico da cidade. Criado pela Juventude Atlética Católica, para ajudar na reforma da catedral. Em 1966 os bois foram convidados, e ano após anos, participamos da festa, ajudamos a erguer o mais belo templo da cidade, por isso é um símbolo tão forte, tão presente em nossas apresentações.

Pode-se afirmar então, que é um festival nascido pela fé do caboclo, aonde se faz presente, um boi nascido e sustentado pela crença, pela força e pela criatividade dos caboclos caprichosos. Há vida nesse brinquedo de pano, há vida sim, pois há amor e paixão.

É uma paixão que ultrapassou os limites do tempo, da saudade dos tablados à pujança da arena, o Boi Caprichoso é vivo e eterno em nossos sentimentos, uma paixão centenária.

Garantido: O Boi da Promessa

Criado pelo pescador Lindolfo Monteverde, ainda no início do século passado, o Boi Garantido era uma brincadeira de criança que evoluiu com o tempo.

Seu criador era descendente de escravos, humilde pescador nascido na ‘Baixa de São José’, bairro pobre, vila de pescadores negros e mestiços da remota Parintins dos anos 1900.

Lindolfo era um gênio popular, desses que nascem na adversidade, como Luiz Gonzaga no empobrecido sertão nordestino.

Foto: Elcio/Vídeo Park/Divulgação

Por volta dos seis ou sete anos, Lindolfo colocava um curuatá (invólucro da folha de uma palmeira), nas costas e dizia ser um boizinho, imaginando as histórias que seus avós contavam da terra de onde tinham vindo.

Seu símbolo é o “coração”, que fica localizado na testa do boi. Suas cores são o vermelho e o branco. É também conhecido como o “Boi do Povão”, “Boi da Paixão” e “Boi da Promessa”.

Elcio/Vídeo Park/Divulgação

O nome Garantido, com o qual Lindolfo batizou seu boi, deriva das batalhas de rua que tiveram seu auge nos anos 1950 e 1960. As batalhas eram encontros entre os bois, que surgiram na ilha de Parintins, por volta dos anos 1920 e 1930. Por ser “duro na queda”, Lindolfo dizia que na hora em que o Garantido dava uma “cabeçada” no outro boi, sua madeira (chifre) era firme e se “garantia” no confronto. O Mestre Lindolfo Monterverde possuía uma voz potente e uma extrema facilidade para o jogo de rimas.

Assim, era sempre vencedor nos duelos de repentes, lutas poéticas que em Parintins são denominadas de “desafio”.

Foto: Parintins Amazonas

Para quem ainda não assistiu, reserve um dia para conferir os espetáculos e quem já viu e gostaria de ver novamente, é só ligar a televisão nas emissoras À Crítica e TV Cultura, que ambas vão transmitir o Festival nos dias 28, 29 e 30 de junho.

Vamos prestigiar nossa cultura popular!
Por: Thayene Freitas

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