Empreendedor, saiba o jeito certo de pedir crédito no banco
Foto: Pattanaphong Khuankaew/Thinkstock

Solicitar crédito em qualquer instituição financeira vai além de apenas sentar-se à mesa com o gerente do banco e ter uma conversa cordial. É uma negociação que requer preparo por parte do empreendedor para não voltar para casa de mãos vazias. Ninguém empresta dinheiro se quem pede não passa segurança de que poderá pagar. Portanto, para ser atendido na solicitação, é necessário organizar as informações sobre a empresa para satisfazer as exigências do banco.

“A análise de crédito é feita sob o conjunto de informações, os cha­mados Cs do crédito: caráter, capa­cidade, capital, colateral, condições e conglomerado”, explica o consultor do Sebrae-SP Mauricio Mezalira.

Por caráter, entende-se dados sobre a idoneidade do tomador, seu histórico, sua reputação. Esse levantamento é feito, geralmente, com o apoio dos serviços de informações como SPC, Serasa, entre outros.

A capacidade de pagamento diz respeito a informações finan­ceiras que possibilitam avaliar a capacidade de cumprir as obriga­ções assumidas (prestações). Essa análise leva em conta receitas, custos e despesas.

O capital se refere à estrutura de recursos do empreendimento, como está o seu nível de endividamento, sua liquidez para honrar compro­missos de curto prazo. Essa análise também é feita com base nas infor­mações fornecidas pelo cliente.

O aspecto colateral está relacio­nado às garantias oferecidas. Im­portante ressaltar que as exigências variam de operação para operação.

As condições estão atreladas à capacidade dos administradores de gerir o empreendimento e como eles estão preparados para lidar com as variações que podem acon­tecer no decorrer do pagamento do crédito contraído.

Por fim, o conglomerado trata dos dados relativos ao setor e seg­mento de que o empreendimento faz parte e como ele é impactado. São obtidos com o cliente e estudos setoriais diversos.

O crédito pode ser solicitado para expandir ou resolver um pro­blema financeiro. Segundo Meza­lira, em ambas as situações o em­preendedor precisa ter uma gestão financeira que apoie suas decisões. “Se é o caso de expansão, ele pri­meiro precisa planejar esse projeto para saber se é viável e se poderá honrar os compromissos sem tra­zer grandes riscos para o que já tem. Crescer é bom, mas sem pla­nejamento o efeito pode ser exata­mente o contrário”, diz o consultor.

Se o caso é de tomar emprés­timo para sanar algum problema financeiro, a recomendação é iden­tificar a causa desse desequilíbrio, pois, muitas vezes, o problema não é resolvido e o empreendedor se vê numa situação em que precisa bus­car mais dinheiro, correndo ris­co de não conseguir mais arrolar suas dívidas.

“Isso é muito danoso porque além de agravar a situação financeira, que já não estava bem, começa a gerar sequelas na ima­gem da empresa como restrições cadastrais, dificuldade de acessar novos fornecedores, falta de liqui­dez financeira etc.”

Nesse caso, o planejamento, mais uma vez, se faz relevante, pois o empreendedor tem de avaliar o que ele precisa de fato, qual o prazo melhor para ele, se precisa de ca­rência ou não, entre outros pontos.

Pesquisa de mercado

Mezalira lembra que é impor­tante não se precipitar para fechar a negociação. A recomendação é pesquisar ao menos três opções para avaliar o que cada instituição oferece e exige. Não se deve con­siderar apenas os juros cobrados, mas também os prazos de paga­mento, o sistema de amortização, o tempo que demora para liberação dos recursos, o tipo de garantia.

Nenhuma instituição é obriga­da a conceder o crédito, mas no caso de uma reprovação é impor­tante que haja transparência nas relações. “No caso de o cliente se sentir prejudicado ele poderá re­correr aos serviços de proteção ao consumidor, ao Banco Central e até mesmo às ouvidorias das ins­tituições”, afirma Mezalira.

Para aumentar as chances

  • Busque as informações sobre o produto que pretende adquirir (linha de crédito mais adequada) antes de procurar as instituições. Estar preparado ajuda na conversa inicial.
  • Descubra onde você deve ir e com quem você precisa falar.
  • Faça o planejamento financeiro. Isso ajuda na sua gestão e também na apresentação perante às instituições.
  • Seja transparente no fornecimento das informações. Esconder algo pode acarretar em reprovação do crédito.
  • Trate o pedido de crédito como um projeto, estabeleça um cronograma das atividades para que você possa acompanhar e também cumprir.
Fonte: Jornal de Negócios do Sebrae/SP

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