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sábado, 20 abril, 2019

Serviços Públicos, escolhas privadas

“Inchado”, “ineficiente”, “lento”, “caro”, ouve-se com alguma frequência sobre o Serviço
Público brasileiro, não raro equivocadas e superficiais adjetivações, por vezes devidas.

Além do inafastável papel que a governança, ou sua ausência, desempenha na performance dos entes e órgãos públicos algo de como se dão nossas escolhas individuais pode impactar em seu funcionamento.

No Brasil os servidores públicos representam 12% do total de trabalhadores, número
bastante inferior à média dos países da OCDE, 21%.

Dinamarca e Noruega possuem 35% de todos os seus trabalhadores no setor público, nos EUA são 14%.

Remuneração

Posições melhor remuneradas, em média 67% superiores aos salários da iniciativa privada
(dados do Banco Mundial) e estabilidade atraem, mas incautos olvidam do fundamental: a
preocupação com o labor que será desenvolvido e o apreço ou desapreço que teriam em fazer aquilo por muitos anos.

Peter Drucker observou que ao escolher um trabalho o indivíduo deve verificar se seus
princípios se coadunam com os da instituição, não precisam ser coincidentes, mas necessitam coexistir, do contrário não haverá performance e restará ao trabalhador frustração.

Desaponto e apatia contumazes que quiçá expliquem os distúrbios psíquicos como principal causa de adoecimento no Serviço Público Federal.

Edmund Phelps, laureado com o Nobel em 2006, em sua obra Mass Flourishing, constata a pandemia de insatisfação com o trabalho, seja em altos cargos, chão de fábrica, países
desenvolvidos ou em desenvolvimento.

Tomados pelas emoções – como a Economia Comportamental elucida – decidimos quase sempre lastreados por elas e não pragmaticamente.

As pessoas que procuraram o serviço público como trabalho, exceção feita talvez a carreiras sacerdotais como segurança pública, defesa, áreas alfandegárias, magistratura, Ministério Público, etc., deparam-se com atividades para as quais não tinham pálida noção prévia.

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O crivo que deveria ser precedente executa-se a posteriori, momento em que o peso de desafiar o status quo da própria infelicidade com a vida laboral torna-se proibitivo diante do salário certo e da estabilidade. Auto agridem-se os indivíduos, vilipendia-se o desempenho.

É na tenra idade, quando acreditamos que nunca nos faltará tempo e as escolhas são tomadas visando o agora, que contraditoriamente somos instados a tomar uma decisão de longo espectro: que profissão teremos, e as vezes por toda vida.

O passar dos anos pode mostrar que não se escolheu fazer o que se gostava, mas todo momento é tempo para se aprender a gostar do que se faz ou seguir novos caminhos.

Por: Jobson de Paiva Sales – Mestre em Gestão de Sistemas

Mestre em Gestão de Sistemas de Seguridade Social, Madri, Espanha.
Articulista, Palestrante e Consultor

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