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terça-feira, 26 março, 2019

Ah, o “Maduro” poder!

A Grã Bretanha economicamente próspera se vê em seu maior desafio quando de declaração de guerra que se tornaria mundial.

Um até então improvável e hesitante orador e político assume os rumos da nação para atravessar o sombrio inverno da humanidade na Segunda Guerra Mundial. Winston Churchill, com 65 anos, avolumou-se e auxiliou na decisiva entrada dos EUA na guerra.

Com discursos inspirados, firmeza de propósitos e ideais aliados a uma inabalável fé na vitória arrefeceu os ânimos da sociedade inglesa entre 1940 e 1945.

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Tornou-se referência de estadista, o que não evitou, todavia, que perdesse as eleições parlamentares de 1945. Assim saiu da cena principal para voltar ao palco em 1951, quando já tinha 76 anos. Venceu o Nobel de literatura em 1953.

Outra sorte tem nossa “pequena Veneza” dos trópicos (significado de Venezuela em espanhol).

Nicolás Maduro, hoje com 56 anos, governa por decretos e poderes especiais desde 2013, exercendo o poder pela força (rule by law) ao invés do Estado de Direito (law of rule).

Fecho os olhos neste instante ao contorcionismo jurídico que seria necessário para convalidar uma unilateral auto nomeação presidencial do seu opositor.

Entretanto estariam as normas jurídicas a serviço da sociedade e de seu bem estar ou esta escrava às leis mesmo quando em prejuízo comunitário?

Seguramente Churchill e Maduro, políticos, não são apenas suas individualidades, mas produtos das sociedades onde cresceram e resultado da solidez ou fragilidade das instituições ali existentes.

Não haveria Churchill sem sua sociedade democrática, industrial e próspera, não haveria Maduro sem o caudilhismo e claudicância das instituições latino americanas.

Sem embargo ambos os personagens e a forma com que usaram uma mesma moeda, o poder, determinaram em muito o grau de sofrimento do seu povo. O primeiro atenuou, o segundo exacerbou.

Co-fundador da Psicanálise, Alfred Adler, identificava o exercício do poder já na precoce idade quando o bebê passa a utilizar do pranto para conseguir o que almeja.

Segundo ele sentimentos de inadequação e inferioridade vividos muito cedo despertariam mais tarde uma perseguição desenfreada por poder, atenção e superioridade.

No limite patológico viria o anseio de conquista de todos e tudo a todo preço, descamba-se por último na falta de empatia e em impulsos violentos.

Churchill e Maduro tem a nos dizer sobre o quotidiano exercício de poder em todas as esferas (escola, família, trabalho, culto, etc).

A lei Weberiana de poder como jogo de “soma zero” determina que, para que alguém tenha mais poder é necessário que igual quinhão seja perdido por outrem, de forma que seja mantida inalterada sua quantidade global.

Para angariar sua parte e subtraí-lo de alguém quais valores seu arsenal de vida está disposto a ultrapassar? Apelos racionais e inspirativos, táticas de troca, elogios e pressão são meios razoáveis?

Ou manipulação, coalisões, sofrimento alheio e autocracia não lhe parecem preço demasiado alto pelo prêmio?

Quando o narcisismo irremediavelmente questionar “quão bons somos?” talvez nossa prudência devesse retrucar “quão bons fazemos aqueles que nos rodeiam?”.

A resposta ao segundo questionamento será uma provável solução do primeiro.

Ao maestro Fabio de Biazzi pelos valiosos ensinamentos.

*O pesquisador John Hunt da London Business School, analisou mais de 50.000 perfis de executivos e estudantes de negócios de todo o mundo, e identificou a gana por poder e reconhecimento como valores perseguidos fortemente pelos aspirantes à liderança.

Os executivos maduros, porém, tem esta ânsia reduzida deslocando seus esforços mais à sociabilidade e conforto.

Mais maduros mais sábios? Ou saciados materialmente manifesta-se o crepúsculo da vida temente à solidão?

Por: Jobson de Paiva Sales – Mestre em Gestão de Sistemas

Mestre em Gestão de Sistemas de Seguridade Social, Madri, Espanha.
Articulista, Palestrante e Consultor

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